Independentemente da causa do aborto, o tratamento deve ser direcionado
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Independentemente da causa do aborto, o tratamento deve ser direcionado

“O aborto ocorre devido ao pouco acesso à saúde, e muitas vezes ocorre de forma espontânea, pois os pets possuem deficiências nutricionais que geram inúmeros problemas na gestação”, inicia o  médico-veterinário Victor Vilar, clínico geral e membro da Associação Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFEL).

Assim como ocorre em humanos, o aborto é a interrupção da gestação, que pode ser espontâneo ou induzido. As causas podem ser diversas no caso humano, assim como em cadelas e gatas. Diferentemente do aborto espontâneo, a interrupção induzida é uma decisão que o tutor toma. 

“Muitas vezes os abortos espontâneos ocorrem devido a doenças infecciosas que o pet contrai devido a negligência ou infortúnio do tutor. Animais de rua são os mais acometidos, pois não são castrados e estão expostos à desnutrição e doenças”, completa Vilar. 

O especialista explica que, tanto em gatas como em cadelas, os motivos são semelhantes: desnutrição e doenças infeciosas. Em relação ao aborto induzido, Vilar adiciona que este é feito em clínicas e hospitais por uma equipe especializada.

Este tipo de aborto é indicado quando é percebido anormalidades ou deformidades nos exames de imagem da fêmea, como ultrassonografia ou radiografia, e é possível afirmar que a continuação da gestação pode trazer riscos de saúde e incompatibilidade com a persistência da vida da mãe, ou dos filhotes. Nesse caso, é usada uma medicação própria ou são realizadas cirurgias, em situações mais graves. 

Entre as causas infeciosas podem estar a brucelose, parvovirose,  panleucopenia , herpes vírus, FIV,  FeLV e a  leishmaniose. Já entre as causas não infecciosas, há uma gama de agentes, como erros de manipulação da fêmea, doenças genéticas, trauma , estresse, intoxicações, má alimentação, administração de medicamentos não seguros durante a gestação, primeira gravidez ou número elevado de fetos e doenças pré-existentes. 

Além disso, o aborto, sobretudo o espontâneo, pode ou não ter sinais clínicos visíveis. Os embriões podem ser reabsorvidos, porém, se o aborto for tardio pode originar o nascimento de fetos mortos ou mumificados. 

Os sinais clínicos dependerão da fase da gestação em que se dá o aborto. Se for em uma fase muito inicial da gestação, há uma reabsorção embrionária sem nenhum sinal. Porém, ao mesmo tempo, pode ser confundida com uma gravidez psicológica pela fêmea.

Em uma fase intermediária, há uma perda de sangue ou tecidos pela vulva, que pode ou não ser percebido pelo tutor, uma vez que as fêmeas costumam limpar e não deixar resíduos. E por fim, em uma fase final, o comportamento da fêmea é muito idêntico ao de preparar o ninho para o parto, porém os filhotes nascem mortos.

Para saber se uma cadela ou gata sofreu um aborto, basta conferir se houve alteração de comportamento, corrimentos vaginais sanguinolentos e/ou com odor, falta de apetite, debilidade, febre, maior ingestão de água e contrações abdominais que não sejam no final da gestação.

“Uma mãe sempre será uma mãe. Existe amor, cuidado quando esses filhotes nascem, e existe o sofrimento quando se perde também”, defende o veterinário acerca de consequências psicológicas para o animal. 

“Já ouvi profissionais dizendo que elas não ‘entendem’ o que está acontecendo, pois não raciocinam como humanos. O que posso dizer é que eu já vi humanos abandonando crianças e já vi gatas pulando no meio de um furacão para salvar os seus filhotes. Cada um enxerga o que o coração permite”, afirma Vilar defendendo seu ponto de vista. 

Independentemente da causa do aborto, o tratamento deve ser direcionado. Nesses casos, muitas vezes é administrado antibióticos para tratar a causa bacteriana ou para impedir uma infeção secundária. Anti-inflamatórios, inibidores de dor e terapia de suporte também são usados conforme o caso. 

A melhor forma de prevenir um aborto é impedir a relação entre os animais e por meio da castração. Deve-se, sempre, ter atenção à linhagem genética do animal, pois se a fêmea já tiver propensão para aborto, o melhor é repensar o cruzamento.  Estima-se que entre 20% e 30% das cadelas não castradas enfrentará o problema pelo menos uma vez ao longo da vida.

Evitar o estresse, ter uma boa alimentação, não usar medicação durante a gestação (exceto se tenha sido prescrita pelo veterinário) e realizar um bom acompanhamento da gestação são atos essenciais para o sucesso de uma gravidez. Deve ter em atenção também que, caso a sua fêmea já tenha sofrido um aborto, a probabilidade de acontecer novamente é muito mais elevada.

Assim como os humanos, as gatas e cadelas devem ter um acompanhamento de perto para evitar qualquer problema enquanto gestam. 

O especialista ainda soma elucidando que é preciso diferenciar um aborto de quando as gatas ou cadelas comem seus filhotes após eles nascerem.

“Um aborto ocorre por causas nutricionais, má formações ou infecciosas. Já a fêmea come os filhotes, muito mais recorrente em gatas inclusive, quando elas se sentem ameaçadas. Por isso, sempre pedimos para deixar a mãe com os filhotes em um local onde ninguém fique circulando e tocando toda hora, pois se a mãe se sente vulnerável, ela prefere ‘sacrificar’ o filhote do que deixá-lo sofrer na mão de predadores”, finaliza Vilar. 

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** Julio Cesar Ferreira é estudante de Jornalismo na PUC-SP. Venceu o 13.º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão com a pauta “Brasil sob a fumaça da desinformação”. Em seus interesses estão Diretos Humanos, Cultura, Moda, Política, Cultura Pop e Entretenimento. Enquanto estagiário no iG, já passou pelas editorias de Último Segundo/Saúde, Delas/Receitas, e atualmente está em Queer/Pet/Turismo.

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