Cães da raça São Bernardo ajudam a resgatar viajantes perdidos em regiões gélidas da Suíça
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Cães da raça São Bernardo ajudam a resgatar viajantes perdidos em regiões gélidas da Suíça

Os cães da raça São Bernardo têm uma história antiga, descendentes dos já extintos Molossos Romanos, uma raça de origem grega, que foi levada da região da Molóssia pelo exército romano até os Alpes Suíços, entre os anos de 1660 e 1670.

Em 1050, o monge São Bernardo de Menton fundou um monastério no alto dos Alpes com o intuito de ajudar e dar abrigo a peregrinos que tentavam fazer a travessia da Suíça para Roma e, em muitos casos, acabavam se perdendo pelo caminho que está localizado a uma altura de mais de 2,4 mil metros acima do nível do mar.

Ao cruzarem caminho com os cães levados pelos soldados romanos, os monges do Hospice du Grand St. Bernard, os cães passaram a ser criados, visando um animal robusto que pudesse servir como animais de tração para trenós e cães de guarda, esses animais passaram por diversos cruzamentos até chegarem ao São Bernardo que conhecemos hoje.

Contudo, ao notarem que esses cães tinham habilidades muito especiais para ajudar na localização de viajantes desaparecidos, sendo capazes de encontrar até mesmo pessoas soterradas por grossas camadas de neve, os São Bernardo deixaram de ser puxadores de trenó para atuarem em resgates, função que exercem até os dias atuais.

Na França, a raça também fez um grande sucesso por ter ajudado soldados do exército de Napoleão durante a travessia dos Alpes, o mais popular entre eles foi o cão chamado Barry der Menschenretter, que se tornou famoso por salvar mais de 40 pessoas perdidas em condições extremas.

O corpo de Barry taxidermizado no Museu de História Natural de Berna
Museu de História Natural de Berna
O corpo de Barry taxidermizado no Museu de História Natural de Berna

Seu ato mais conhecido foi o resgate de um menino perdido que tentava se proteger do frio no fundo de uma caverna, Barry encontrou a criança durante uma de suas patrulhas e se deitou sobre o corpo do menino para aquecê-lo, e então o carregou nas costas de volta ao mosteiro.

Barry viveu no Hospice du Grand St. Bernard entre os anos de 1800 e 1814 e conta com uma exposição permanente em sua homenagem no Naturhistorisches Museum Bern (Museu de História Natural de Berna), na Suíça, onde o corpo do animal se  encontra conservado por taxidermia.

Outra curiosidade é que, ao contrário do que se acredita, os cães não carregam barris de conhaque para dar às vítimas e aquece-las do frio, na verdade eles usam seus corpos peludos para protege-las do frio, deitando sobre elas.

Recordes e cinema

Família Newton e o cão Beethoven, famoso pelo filme
Divulgação/Universal Pictures
Família Newton e o cão Beethoven, famoso pelo filme "Beethoven, O Magnífico"

Mais recentemente a raça também  se tornou muito conhecida graças ao filme  de 1992, “Beethoven, O Magnífico”, que fez com que o pet se tornasse um desejo de famílias do mundo todo. O sucesso do longa resultou em cinco continuações diretas e dois especiais, além de um desenho animado.

Uma  cadela da raça São Bernardo, chamada Mochi Rickert,  entrou para o Guinness Book, o livro dos recordes, em 2017, por ter a maior língua do mundo em um cachorro vivo, medindo 18,58 centímetros.

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A personalidade do São Bernardo

São Bernardo é um cachorro de personalidade calma
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São Bernardo é um cachorro de personalidade calma

Muitos o conhecem como “gigante gentil”, por serem cães muito dóceis e leais, extremamente alertas – embora não sirvam para a função de cão de guarda – eles se dão muito bem com outros animais e pessoas de todas as idades, inclusive crianças, por isso foram conhecidos como “cães babá” durante um longo tempo.

Eles são muito calmos e pacientes, também um pouco teimosos para determinadas situações, o que requer um pouco de paciência caso o tutor deseje ensinar alguns truques para o pet que, no geral, entende o comando com certa facilidade.

Apesar desse perfil bastante agradável,  por serem cães de porte grande,  é necessário que sejam socializados desde cedo. Mesmo muito manso, um São Bernardo adulto pode não ter muita noção de seu próprio tamanho e machucar alguém ao pular na visita, ou facilmente roubar comida de cima da mesa, pia ou mesmo do fogão.

Apesar do porte, esses cães não exigem grandes quantidades de exercícios físicos, embora seja necessário para evitar problemas com obesidade.

Saúde e higiene

São Bernardos podem ser encontrados em variações de pelos curtos e longos
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São Bernardos podem ser encontrados em variações de pelos curtos e longos

O São Bernardo pode ser encontrado em variações de pelos mais longos ou mais curtos, mas em ambos os casos é necessário escovação frequente para evitar quedas excessivas, ou mesmo escovações diárias durante o período de troca de pelos que acontece duas vezes ao ano.

A região das orelhas também precisa ser sempre higienizada, sempre seguindo orientações de um médico veterinário. Por ser um cão originário de climas gelados, o São Bernardo tende a sofrer com climas quentes, por isso é importante que o tutor ofereça ao pet opções para que ele possa se refrescar.

Existem tapetes gelados disponíveis à venda no mercado, é possível também oferecer opções saudáveis de sorvete para cachorros, além de brincadeiras envolvendo água, lembrando sempre de deixar o pet bem sequinho após a brincadeira, ou quando forem necessários banhos mais completos.

Como um cachorro de porte grande, o São Bernardo está predisposto a sofrer com doenças comuns em cães maiores, como a displasia do quadril e displasia do cotovelo, doenças hereditárias que causam malformação das articulações e um “encaixe errado” dos ossos. Também podem sofrer de doenças oculares que podem gerar ulceras nas córneas graves e torção no estômago, doença que causa uma dilatação estomacal que causa fermentação e acúmulo de gases e alimentos no interior do estômago.

Por isso é sempre importante que se faça um acompanhamento com um médico veterinário desde filhotes.

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