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Para as raças serem "puras" os cães foram submetidos a diversos cruzamentos, resultando em anomalias genéticas que prejudicam a saúde

Ter um cachorro de raça é o sonho de muitas famílias. Os diferentes tipos de Pedigree disponíveis no mercado contemplam requisitos como aparência, temperamento e aprendizagem dos animais, fazendo com que o comprador escolha o tipo de cão que é mais adequado para seu estilo de vida. 

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Os cachorros de raça podem sofrer com diversas doenças genéticas
reprodução shutterstock
Os cachorros de raça podem sofrer com diversas doenças genéticas

Porém, muitos desses  cachorros de raça acabaram desenvolvendo uma série de doenças genéticas graças aos cruzamentos realizados, principalmente, para criação da raça. O Pug, por exemplo, é um dos cães que mais têm problemas respiratórios por ser braquicefálico e ter o focinho achatado, resultado dos inúmeros cruzamentos entre o Lo-sze, o Pequinês e o Lion Dog. 

A maioria das raças que conhecemos hoje tiveram origem semelhante devido a tentativa de chegar a características únicas de aparência ou função. Border Collie, Dachshund e Beagle, por exemplo, surgiram de cruzamentos específicos com o objetivo de ajudar os humanos em atividades como o pastoreio e a caça. Já Akita, King Charles Spaniel, Coton de Tuelar e outras raças acabaram agradando nobres e eles se presenteavam entre si com exemplares, buscando sempre uma raça diferente e nova. 

Dessa forma, ao longo do tempo foi-se descobrindo que certo gene, quando combinado com outro, resultava em uma característica específica. Porém, tantas alterações e seguidos cruzamentos acabaram trazendo também problemas de saúde que podem atingir mais uma raça do que outra. 

Confira algumas das doenças mais comuns em cachorros de raça

  • Displasia do cotovelo: nome genérico dado para diferentes tipos de más-formações nos cotovelos de cães. Boiadeiro Bernês, Terra-Nova, Mastim e outras raças, principalmente de porte grande ou gigante, apresentam o problema com mais frequência. 
  • Dermatite alérgica e dermatite atópica: a lergias na pele, que levam a vermelhidão e coceiras.  A doença é mais comum em raças como West Highland, White Terrier, Coonhound e Fox Terrier de pelo duro. 
  • Doença hepática veno-oclusiva: caracterizada pela obstrução de pequenas veias ligadas ao fígado. Yorkshire Terrier, Norwich Terrier e Pug costumam apresentar a doença com mais frequência. 
  • Cardiomiopatia dilatada: acontece quando o músculo do coração, com o passar do tempo, fica mais fino e enfraquecido. Dobermann, Great Dane e Mastim Napolitano são as raças mais atingidas. 

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  • Estenose aórtica: caracterizada por uma obstrução parcial na saída do sangue de uma das câmaras do coração. Raças como Terra-Nova, Boxer, Bull Terrier e Irish Terrier têm mais chances de apresentar o problema de saúde. 
  • Epilepsia: ocorre quando descargas anormais de energia no cérebro fazem com que os animais tenham espasmos. O problema costuma acontecer com mais frequência em raças como Leopardo Catahoula, Beagle e Schipperke. 
  • Meteorismo: quando ocorre um produção excessiva de gases no intestino. São Bernardo, Setter Irlandês, Bloodhound e Great Dane são raças em que a doença é mais comum.
  • Hipotireoidismo: a produção demasiadamente baixa de hormônios pela tireóide pode levar o cão a ficar apático e sem energia. Schnauzer Gigante, Setter Irlandês e Keeshond estão mais propícios a terem o hipotireoidismo. 
  • Catarata: causada por alterações nas lentes do cristalino que acabam ficando opacas. Mini Poodle, Silky Terrier e Griffon de Bruxelas sofrem mais frequentemente com o problema de visão. 
  • Doença do disco intervertebral: os discos que ficam entre cada vértebra da coluna se deslocam, pressionando a medula, causando dor, danos nos nervos e, em alguns casos paralisia. Dachshund, Bulldog Francês e Pequinês costumam sofrer mais com os problemas de coluna. 

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Outras raças também são acometidas por doenças não citadas anteriormente. Os chihuahuas, por exemplo, por serem muito pequenos, podem ter aumento de pressão no cérebro - o que pode ser letal.

Devido a esse histórico e outras variáveis, na Austrália a reprodução de cães e gatos é proibida para venda em lojas. No Brasil, esse mercado movimenta muito dinheiro e atrai pessoas que não tem conhecimento e capacidade para gerir um canil, por isso, canis clandestinos, em condições precárias e com animais tem sido encontrados. Ativistas como Luisa Mell batalham todos os dias para que os  cachorros de raça parem de ser reproduzidos. 

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