Não são só os humanos que sofrem com a queda das temperaturas. Do mesmo modo que entre nós o frio favorece a disseminação de doenças infectocontagiosas (aquelas causadas por vírus e bactérias, devido à maior resistência dos agentes às baixas temperaturas)  cães e gatos  também podem adoecer nesta época. Por isso a saúde dos bichinhos merece atenção especial do tutor nesse período.

De acordo com Pedro Teles, médico veterinário e professor das disciplinas Imunologia Veterinária e Doenças bacterianas e viróticas no Centro Universitário Newton Paiva, nos pets, o frio pode conduzir à diminuição das barreiras de defesa (sistema imune), seja por perda da integridade da pele, por desnutrição ou ate desidratação.

Cão deitado sendo examinado
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Tosse canina é um problema sério e mais recorrente nos meses frios do ano

De acordo com o especialista, as principais doenças que acometem cães e gatos nas épocas frias estão relacionadas ao sistema respiratório, cutâneo e articular. Apesar de se assemelharem com patologias que atingem o homem, os agentes causadores tendem a ser específicos dos pets. Por exemplo, a "gripe canina", conhecida popularmente como "tosse dos canis", normalmente é causada por um agente bacteriano, ao passo que a gripe humana é causada por um agente viral.

Como perceber que meu pet está começando a ficar doente?

No geral, os sinais clínicos iniciais são corrimentos nasais e/ou nos olhos, além de tosse e/ou espirro, associados ou não à dificuldade respiratória e cansaço. Além disso, as baixas temperaturas reduzem a ingestão de água, podendo levar à desidratação e ao ressecamento da pele do animal.

O ressecamento dela pode conduzir a dermatites causadas por agentes oportunistas, como bactérias e fungos. Isso porque a pele é uma barreira de proteção contra microrganismos. Vale a pena lembrar que para dar banho nos animais nos dias frios, deve-se evitar o uso de água muito quente, que pode prejudicar ainda mais a pele, aumentando a desidratação.

Doenças dos cães

  • Tosse dos canis:  a doença respiratória mais comum é a Traqueobronquite Infecciosa Canina, conhecida popularmente como “tosse dos canis” ou “gripe canina”, causada pelo agente bacteriano Bordetella bronchiseptica. É uma doença transmissível entre outros cães, sendo de fácil disseminação. Por esse motivo é importante diagnosticar e tratar rapidamente o primeiro animal que apresentar os sintomas.
  • Cinomose canina : virose que atinge os cães principalmente em seu primeiro ano de vida. Os sinais também são respiratórios.
  • Parainflueza canina : provocada por um dos vários vírus envolvidos na tosse dos canis. Também respiratória que acomete principalmente animais que viviem em grupos, como canis e abrigos.

Doenças nos gatos

  • Rintotraqueíte felina : também conhecida como "gripe felina", é uma das principais doenças que atingem o sistema respiratório dos felinos, sendo de fácil transmissão.
  • Leucemia viral felina : causada por um vírus que afeta o sistema imune dos gatos e que se for percebida tardiamente, pode não ter cura.

Teles diz que a melhor forma de prevenir todas essas principais doenças é estar sempre em dia com a vacinação dos pets.

Cães e gatos filhotes e idosos exigem maior atenção?

Uma atenção especial deve ser dada a filhotes e idosos. Restrição aos passeios externos e o uso de agasalhos são muito importantes. É bom lembrar que filhotes ainda não receberam todas as vacinas ficam mais expostos aos agentes infectocontagiosos. É importante lembrar que o pelo desses animais ainda é escasso para a proteção térmica e a cobertura de gordura da pele ainda é muito discreta.

De modo semelhante, os animais idosos também possuem os pelos mais e cobertura de gordura reduzida. Nesta época eles podem sentir um desconforto articular, o que pode levar à prostração e à perda de apetite. 

Pets e o novo coronavírus (Sars-Cov-2)

Muitas pessoas ainda acreditam que a atual doença que vem acometendo milhares de pessoas, pode vir a prejudicar o pet e consequentemente ser transmitida ao tutor. De acordo com Pedro Teles, o abandono de animais está aumentando por essa razão. Contudo ele assegura que isso não é necessário. "Saliento que até o presente momento não existe nenhum relato científico de transmissão da COVID-19 de pets para os humanos. Portanto, a recomendação é: caso seu animal de estimação apresente sinais de doença respiratória, ele deve ser conduzido ao médico veterinário, para cuidados e orientação dos tutores", explica.

"Com a atual pandemia da COVID-19, acredito que, mais do que nunca, estamos aptos a realizar medidas preventivas frente às doenças de fácil transmissão. Assim como para os humanos, existe a recomendação de se evitar aglomeração de animais nas épocas mais frias, a fim de evitar a transmissão entre os animais das principais doenças transmissíveis", finaliza.


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