Pelo menos algumas vezes por ano, especialistas na área da saúde apresentam teses e estudos comprovando alguma novidade, seja um medicamento ou um sintoma. Com os pets não é diferente: os veterinários sempre apresentam alguma descoberta importante sobre eles e tentam melhorar ainda mais a qualidade de vida do pet. Inclusive, com relação à saúde mental dos cães, há análises sobre a possibilidade de terem autismo.

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Cães têm autismo? Estudos mostram que eles podem apresentar sinais

Um estudo registrou, em 2015, nos Estados Unidos, que o fato de o cachorro seguir o próprio rabo com constância pode significar autismo . Baseado nisso, é possível estabelecer uma série de relações entre a complicação e certos comportamentos do animal. Por isso, é importante saber identificar um cão com esse problema e como lidar com a situação.

O que é autismo?

Em seres humanos o autismo é muito comum e manifesta-se em variados graus. São observadas mudanças no modo de se relacionar com o mundo, como interage e comunica-se.

Dentro disso podem surgir sinais como: não responder ao próprio nome, ouvir de forma seletiva (ou parecer que não está ouvindo); prefere ficar sozinho e interage pouco, da mesma forma que olha pouco; não demonstra muitos sentimentos ou parece alheio aos dos outros, etc.

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O autismo não tem tratamento, mas pode ser amenizado com acompanhamento psicológico e vivendo em um ambiente confortável

Também apresenta hábitos, interesses e atividades repetitivas. Pode ter problemas de coordenação, não é muito cooperativo e nota-se uma certa teimosia.

Sinais de autismo em cães

No caso dos cachorros, são dois os fatores mais notáveis de um possível autismo: a prática de perseguir o próprio rabo sem parar e uma condição genética especial causada por uma síndrome. 

A pesquisa feita na American College Veterinary Behaviorists escolheu uma amostra de 132 cães da raça Bull Terrier, avaliados por observação do comportamento e pelo DNA. 55 perseguiram o próprio rabo, enquanto 77 conseguiram se controlar. 

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Concluiu-se que essa mania está mais associada a cães do sexo masculino, a episódios de  comportamento agressivo e como se estivesse em transe. O fato dessa ação ser repetitiva e uma tendência em momentos de medo e insegurança liga-se ao quadro de autismo.

No caso da síndrome, há também conexão com a aparência da pessoa e do animal. É estimado que quem apresenta essa diferença no DNA está entre os 15% e 60% que têm a doença. E têm características como uma testa mais proeminente, um palato mais alto e arqueado, cabeça maior e orelhas grandes. O Bull Terrier é exatamente assim e por isso tem maior disposição para desenvolver o autismo.

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O autismo pode ser apresentado em cães por meio do comportamento compulsivo, prática das mesmas atividades e medo de outras pessoas


Geralmente cães com autismo também evitam novos jogos e brincadeiras , limitando-se às mesmas atividades. Também fica mais entediado e apático, mesmo se a raça ou o perfil dele era enérgico. Vai demonstrar, ainda, dificuldade de aprender comandos e a desobediência é um dos principais fatores, que, somada à limitação do animal, exige bastante paciência do tutor. 

Diagnóstico

Apesar dessa análise, é importante lembrar que os animais ainda precisam de mais estudos e mais observação para concluir que de fato têm o autismo. O entendimento dos tutores e dos próprios veterinários sobre o comportamento animal ainda é limitado, por mais informações que se tenha.

Então, é difícil dizer com propriedade quando um cãozinho é autista ou não. Porque, às vezes, pode ser apenas uma mania comum dele ou uma mudança de hábito que nada têm a ver com doenças.

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Saiba identificar sinais de autismo em seu cachorro e aprenda a lidar com a situação


Deve-se prestar atenção na frequência de comportamentos atípicos e totalmente excepcionais para aquele cachorro. Se ele passar a  interagir pouco ou quase nada com outros cães ou com pessoas é um mau sinal - em especial se ele normalmente é simpático e receptivo com os outros. Ao demonstrar medo ou insegurança perante certos indivíduos é indicado recorrer a um especialista.

Pode até ser uma síndrome sensorial, caracterizada por depressão, ansiedade, agressividade, problemas de ajustamento e timidez. E é necessário discernir os dois casos.

O melhor para identificar o quadro do pet é sempre consultar um veterinário e entender exatamente o motivo da alteração do seu companheiro.


Como lidar com um cão autista

Mesmo que o animal não tenha exatamente sido diagnosticado com autismo, mas apresenta sinais claros, o tutor deve procurar ajuda e também tentar melhorar o tratamento com o pet, para ele se sentir acolhido e saudável.

Observe o que causa irritação ou agressividade no cachorro e, se possível, tente evitar. Por exemplo, se ele se sente acuado e com  medo de pessoas no parque, não o leve em locais com muita gente e procure mantê-lo em ambientes tranquilos e silenciosos, de preferência vazios. Uma caminhada por uma trilha tranquila também é uma boa opção.

Como os pets com autismo ficam mais restritos a algumas atividades, não é indicado realizar muitas mudanças , como trocar de casa. Isso exige uma adaptação profunda do animal e pode piorar a situação. Evite alterações radicais nos hábitos dele. 

Embora seja um problema de saúde, o autismo não deve ser considerado uma doença e o cachorro precisará de muito carinho para se sentir confortável mesmo nessa situação. Não o deixe muitas horas sozinho e sempre ofereça afagos e companhia. Quando o animal tiver momentos ruins, de irritação ou tristeza, tente ajudá-lo, mas respeito o espaço dele também.

Apesar de não haver tratamento para esse tipo de problema, a psicologia animal é bastante positiva e benéfica para melhorar o relacionamento do pet com pessoas e outros bichos, além de deixá-lo mais aberto e confiante para diferentes situações.

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