Luisa Mell, o filho Enzo e cão para adoção
Divulgação/Instituto Luisa Mell
Luisa Mell, o filho Enzo e cão para adoção

Luisa Mell , uma das maiores ativistas da causa animal no Brasil , lançou nesta quarta-feira (28), seu novo livro intitulado “Luisa Mell em Se os bichos falassem: Austrália”. O livro, que marca a estreia da artista no gênero infantil, conta a história de uma personagem homônima que luta para combater o abandono e maus-tratos em animais, até que, atendendo a um pedido de socorro dos animais, parte em uma jornada para salvar a natureza.

Em entrevista exclusiva ao Canal do Pet, Luisa Mell conta que a principal inspiração para o livro veio da obra de Rita Lee, “ Amiga Ursa ”, que retrata a história real do resgate da ursa Rowena, no qual a ativista é uma das personagens. O livro sobre a ursa foi levado para escolas e recebeu retorno muito positivo pelas crianças, que perguntavam sobre a ativista, que recebeu o convite da Editora Globo para produzir sua própria série.

primeiro livro da série, que contará com quatro volumes, se inspira nos incêndios que devastaram a Austrália entre 2019 e 2020. A história começa de maneira simples e, aos poucos, envolve o leitor em um mundo fantástico que retrata, de forma leve e lúdica, o que acontece em nosso mundo real.

Buscando passar uma mensagem que conscientizasse o público sobre os problemas que o planeta enfrenta, Luisa diz que sua maior preocupação foi transmitir a mensagem de forma didática, leve e divertida para as crianças.

Livro
Divulgação/Editora Globo
Luisa Mell em Se Os Bichos Falassem: A Austrália

“Não posso deixar pesado, mas ele tem uma mensagem. Eu costumo dizer que faço em camadas, sabe? Assim, às vezes a criança mais nova só entende a primeira, mas o adulto já percebe que tem uma coisa por trás. Então, essa é a minha ideia”, explica.

“Ter um filho fez toda a diferença para mim, nós lemos muito, isso é muito importante na nossa vida. Desde que tinha três anos, eu conto três histórias todas as noites para ele, antes de dormir. Isso é maravilhoso para uma criança, como entendimento, como desenvolvimento, para o vocabulário, nossa relação. Acredito que a leitura para a criança é uma das coisas mais importantes que os pais podem fazer para os filhos”, acredita.

Para o primeiro livro, a autora conta que estudou muito sobre a temática, que envolve o aquecimento global. Cada livro se passará em um local do mundo, sendo o primeiro na Austrália, retratando animais típicos como coalas, cangurus e até o ornitorrinco, como personagens carismáticos e que, de forma sutil, passam uma mensagem sobre um problema real e urgente.

A história dá início ao que se chamará “Turma do Arco-íris”: “O interessante é que eu criei isso [o mundo do livro] e depois descobri, dando uma entrevista sobre veganismo, que existe uma lenda da ‘Tribo do Arco-Íris’. É uma lenda indígena que fala sobre isso, quando os rios estiverem sujos e contaminados, e o fim estiver próximo, eles vão surgir de todos os lugares, de todas as cores para salvar o planeta”, contou.

“Eu pesquisei muito sobre lendas indígenas, todos os lugares que eu vou fazer, como a Austrália, por exemplo, eu estudei muito a história dos aborígenes, a cultura, para tentar colocar isso no livro também. E descobri que existem lendas muito parecidas entre os aborígenes da Austrália e os indígenas do Brasil”, continua.

Inspirações e incentivos

páginas do livro
Divulgação/Editora Globo
páginas do livro

Além da já mencionada obra de Rita Lee, contos como “A Jornada do Herói”, de Joseph Campbell e “O Mágico de Oz”, serviram como inspirações para a autora. Enzo, de seis anos, filho da artista e também personagem do livro, foi um dos maiores incentivos para a criação.

“Meu filho me incentivou, me ensinou, me ajudou, na segunda parte [do livro] tem bastante humor porque ele gosta muito. Então, eu vi que isso era muito importante pra manter a criança no livro. Ele, sem dúvida nenhuma, é o meu grande ouvinte. Lembro da reação dele quando criei a parte de que ela [a personagem] virava meio bicho e meio gente, ele ficou tão enlouquecido querendo saber o resto da história que eu falei: ‘Nossa, acertei. Vou por aí!’”, dizcom tom de entusiasmo.

Objetivos

A ativista afirma que o objetivo de sua série de livros é despertar as crianças para o assunto do meio ambiente e educar, sem ser didática e "chata", trazendo informações para que a crianças aprendam, com um livro gostoso de ler e que traga uma grande mensagem por meio das quatro obras.

“Para a criança, entender isso e se acostumando com essa história e passando as mensagens que acredito, que já está mais que na hora. As crianças vão ser os principais prejudicados, terão um futuro destruído se nada for feito”, acredita. “Então, nada melhor do que despertá-las para que elas saibam o quanto é importante olhar para o planeta de forma respeitosa”.

Ela ressalta a importância disso ao destacar que estamos vindo de gerações baseadas apenas no consumir, buscando sempre ter mais e mais, na qual o lucro de poucos se baseia no sofrimento de muitos.

Luisa Mell  lembra sobre os livros que já leu para o filho em que, de forma indireta, incentivavam o tráfico de animais: “Havia um, de uma autora famosa, que contava sobre um cientista que fazia testes nos bichos e mandou vir um macaco da Amazônia. Aí o cara entendeu errado e vieram mil, não parava mais de chegar macacos. Então eu penso ‘o que essa mulher está falando?’, é um horror. É muito sério escrever para crianças, é muito sagrado”.

Ela conta que tudo o que coloca em seu livro é o que gostaria que o próprio filho ouvisse e que pensa muito sobre o assunto.

“É tão importante colocar essas mensagens porque, sem dúvida nenhuma, isso fica para sempre, constrói a criança, quem ela é. [...] Assim como eu vejo esses livros com valores totalmente invertidos, procuro colocar tudo o que eu acredito nos meus, mas sempre lembrando de não ser didática e chata. Essa é a minha maior preocupação. Se não, não atinge o objetivo. Por isso, eu quis fazer uma coisa mais maluca, divertida e engraçada.”

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Como os Animais Salvaram Minha Vida

Luisa Mell  escreveu sua autobiografia em 2017 e desabafa que foi algo muito difícil. Ela relata que foi como uma terapia, muito intenso e que retrata momentos muito difíceis de sua vida. Ao contrário de seu novo trabalho, focado no público infantil.

"Logo que comecei a escrever, olhei para o meu editor (Guilherme Samora) e falei que foi um presente na minha vida porque o meu trabalho é tão pesado... eu amo muito tudo o que eu faço. Sou muito grata por poder fazer esse trabalho, sou muito feliz com a minha vida, mas às vezes, realmente, é muito pesado e eu não aguento."

Para ela, poder fazer um livro voltado para o público infantil é muito importante, desde a pesquisa, a maneira de falar, atribui toda uma leveza. "O outro [ Como os Animais Salvaram Minha Vida ] eu escrevi rezando, eu sou muito conectada com Deus". 

"Naquela época falar sobre aquecimento global e veganismo era um assunto muito difícil, mais do que é agora. Escrevi pedindo a Deus que me ajudasse a despertar as pessoas para essa causa e acho que realmente consegui atingir esse objetivo", descreve.

Luisa explica que, nos eventos de adoção que realizava -- interrompidas em 2020 devido à pandemia da Covid-19 -- muitas pessoas chegavam até ela para pedir autógrafos, diziam estar mudando seu modo de pensar e aderindo ao veganismo, graças ao seu trabalho.

"Esse livro é muito importante para mim, para as pessoas me conhecerem melhor saberem como eu me tornei a Luisa Mell, a minha caminhada, essa jornada até me tornar uma ativista vegana. E também ensinando o que aprendi por anos."

Instituto Luisa Mel

Sobre o trabalho no instituto, ela conta que vem sendo ainda mais desafiador. Com a pandemia e a pausa nos eventos de adoção, precisaram se reinventar. Com dois abrigos lotados, do qual pretendiam devolver um até metade de 2020 para a construção de um santuário. Com a pandemia, as doações para o Instituído diminuíram e as adoções caíram para 20% do habitual. Além do abandono de animais que aumentou e pessoas que,  após adotarem um animal de estimação, o devolvem .

Há uma nova campanha de apadrinhamento para pessoas que não podem adotar um animal, mas deseja apadrinhar. Por meio do site do Instituto Luisa Mell, o padrinho poderá ver todos os animais e escolher um para poder ver seu "afilhado pet", acompanhando todos os gastos mensais desse cachorro ou gato, e divulgá-lo para adoção ou visitá-lo por lá, caso queira.

Ajudas externas

Sobre os terrenos em que estão os animais, a ativista conta que nunca recebeu doações, nem ajuda financeira de prefeituras ou instituições federais. Há um contrato com uma das doadoras para poderem utilizar o terreno por 10 anos, que já foram renovados. O terreno no qual será construído o santuário foi dado por seu marido, Gilberto Zaborowsky.

Marcas de alimentos para pets, por exemplo, fazem apenas algumas campanhas pontuais, mas não há nada fixo. Luisa relata que já teve problemas com criadores, que vão até as marcas e fazem com que parem de doar os alimentos. "Nós vivemos mesmo é das doações de pessoas físicas, da compra de nossos produtos e desse apoio das pessoas", finaliza.

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