O uso da coleira correta é ideal para o bem-estar do cachorro. De acordo com a veterinária Bianca Bennati, da clínica SPet junto a Cobasi, se o animal usar do acessório de forma errada pode acabar se ferindo e tendo alergias. Além disso, em momentos de passeio, pode deixar o cachorro desconfortável, causando traumas.

Cão preto deitado com uma coleira posta em sua frente
reprodução shutterstock
A escolha da coleira ideal para o cão irá depender de suas características comportamentais

Bianca explica que para escolher dentre tantas opções de coleiras disponíveis no mercado, é preciso levar em conta a ergonomia da raça do cachorro e seu comportamento. Ele tem uma estrutura mais delicada? Mais robusta? Ele é agressivo, calmo, medroso, agitado? Após ter esses pontos definidos, fica mais fácil saber qual é a coleira ideal. 

"Entre as várias raças de cachorros podemos encontrar algumas semelhanças entre os tipos de corpos, focinhos, pescoço, quantidade de músculos, etc. Essas variações são decorrentes do tipo de trabalho que o cão foi criado para fazer. Caso o animal não seja de raça pode-se pensar numa raça mais próxima ou ir pelo comportamento mais próximo na hora da escolha da coleira", explica Bianca.

Coleira de pescoço: também conhecida como plana, é o tipo mais comum. Consiste numa coleira que fica ao redor do pescoço e é usada por cães que possuem um tórax mais estreito horizontalmente e mais alongado verticalmente, muitas vezes ultrapassando os cotovelos. Raças como pastor alemão, são bernardo e labrador possuem essas caracterísiticas, e usam a coleira ao redor do pescoço pelo tipo da estrutura corpórea.

Cachorro usando coleira de pescoço
shutterstock
Cachorro usando coleira de pescoço

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Coleira leader:  é um tipo de coleira que envolve o pescoço e o focinho. São indicadas também para cães com a estrutura do tórax mais estreito e longo, como goldens e border collies. Mas a principal indicação é para os animais muito agitados durante o passeio. Ao tentar puxar a guia, o focinho do animal é virado para baixo ou para o lado, impedindo o puxão da coleira e reforçando negativamente o comportamento. O modelo é principalmente utilizado em pets  em fase de aprendizado e adaptação de passeios. 

Coleira enforcador:  usada em raças com estruturas mais robustas, fortes e de comportamento agressivo, como rottweilers e dobermans, animais de difícil controle. Elas causam um desconforto grande no animal ao apertar no pescoço enquanto ele puxa a guia. Deve ser usada com muita cautela, pois pode causar lesões sérias na região cervical. 

Cachorro usando coleira enforcador
Pixabay
Cachorro usando coleira enforcador

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Coleira martingale: coleira de pescoço que é um pouco mais grossa e possui um fecho atrás, que aperta levemente o pescoço do animal se ele resolve dar um "puxão". Geralmente usada em cães de corrida, como galgo e whippet, que possuem um tórax profundo, mas estrutura do pescoço delicada. Ela é similar ao enforcador, porém menos agressiva e mais confortável. 

Coleira peitoral: são coleiras que envolvem o peitoral do animal, dando a ele mais liberdade e conforto. É usada, geralmente, em raças com estrutura mais fraca e delicada, de pequeno porte e dóceis, como yorkshire, shih tzu e poodle. Também são usadas em cães braquicefálicos, que possuem focinho achatado e dificuldade na respiração, como pugs e buldogues. Essas raças muitas vezes possuem um tórax mais proeminente e membros anteriores mais atarracados, sendo a coleira posta no peito a melhor opção.

Cachorro usando coleira peitoral
Flickr/ Logan Polydoro
Cachorro usando coleira peitoral

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Bianca Benatti ainda ressalta que cada tipo de coleira necessita de uma manutenção diferente de acordo com seu material. É preciso seguir a risca as recomendações de lavagem do fabricante para garantir uma maior durabilidade e preservar sua função. Também é necessário observar o uso do acessório ao longo do tempo para saber se o animal teve uma boa adaptação.

"Avalie periodicamente se a coleira não está machucando o animal, sendo indicado tirar com frequência para avaliação da pele e pelame. Também deve-se avaliar se o animal não engordou e a coleira está apertando, gerando algum desconforto. Observar também, se durante o passeio o animal não apresenta tosse ou falta de ar e, se necessário, procurar um veterinário", finaliza.​



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