O cão-guia , é considerado um animal de serviço, e de acordo com o Conselho Regional de Medicina Vetrinária de São Paulo (CRMV-SP), é importante manter as rotinas dele para preservar o bem-estar e a eficiência do treinamento durante a pandemia do novo coronavírus. O zootecnista Alexandre Rossi, profissional da área de Comportamento Animal e integrante da Comissão Técnica de Bem-Estar Animal (CTBEA) do CRMV-SP, comenta sobre as necessidades desses cães.

cão-guia guiando dona
reprodução shutterstock
Cão-guia deve continuar com rotina mesmo em meio à pandemia

O cão-guia é naturalmente mais calmo, tanto pelo treinamento recebido, quanto pelas características inatas, que são parte do critério de seleção dos animais que irão para o serviço nas ninhadas. Por esse fator, o impacto da quarentena para eles pode ser menor do que para os cães de companhia. “Mesmo quando pertencem a pessoas bastante ativas, os cães-guia ficam boa parte do tempo quietos. Eles não passam o tempo todo guiando e, ainda assim, quando o fazem, caminham em passadas tranquilas”, afirma Rossi. 

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Mesmo com as características mais tranquilas, o cão-guia precisa continuar com estímulos. A indicação da presidente da CTBEA do CRMV-SP, Cristiane Pizzutto, é além de dinâmicas em casa, algumas rápidas caminhadas pelo condomínio ou pelas ruas mais próximas, como uma forma de mantê-lo ativo, saudável, feliz e eficiente. A orientação majoritária é que as saídas respeitem as medidas preventivas contra o novo coronavírus, por isso, devem ser escolhidos trechos e horários em que há menor movimentação. “São indispensáveis, ainda, os cuidados com a higiene na volta para casa, com a limpeza das patas e pelos do animal”, comenta Cristiane. 

Rafael Fortes Braz, jovem que perdeu completamente a visão aos 21 anos, diz que aproveita o amplo espaço de sua residência para manter ativo o seu cão-guia Popeye enquanto está isolado. “Para manter a qualidade do treinamento e evitar o sedentarismo, faço, diariamente, caminhadas com o Popeye, com a guia, pelo quintal e pelo corredor extenso que tenho em casa”, conta. 

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Outra medida adotada por Braz foram as subidas e descidas da escada com o animal. “São duas sessões de dez vezes, sempre aplicando os comandos e mantendo os estímulos com o Popeye.” Uma vantagem de Popeye, além do cuidado e do amplo espaço, é a convivência com Ozzy, o cão-guia aposentado de Braz. “Eles passam mais tempo brincando e eu aproveito para aplicar as mesmas dinâmicas diárias também com o Ozzy, que demonstra gostar muito.”



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