Separar a fêmea do macho durante o período de cio dela, pode ser muito estressantes para os cães
Banco de Imagens/Visual Hunt
Separar a fêmea do macho durante o período de cio dela, pode ser muito estressantes para os cães

  A  castração  das cadelas domésticas serve para evitar a  procriação  e ajudar a prevenir diversas doenças, como os cânceres de mama, útero, ovário, entre outras. Contudo, nem sempre os tutores sabem o momento mais adequado para fazer a castração, isso porque fazer muito cedo ou muito tarde vai tem vantagens e desvantagens que merecem ser levadas em consideração.



Para esclarecer as dúvidas mais comuns relacionadas à castração de cadelas o Canal do Pet pediu ao veterinário da Plamev Pet, Raphael Clímaco que explicasse quais os pontos positivos e negativos da castração em cada fase da vida das  cadelas

Segundo o especialista, estudos que indicam que há vantagens e desvantagens dos dois cenários - a castração precoce e a tardia. Ele recomenda que os tutores decidam junto com seus veterinários de confiança o que é melhor pra sua bichinha.

“A tomada dessa decisão está voltada para o contexto em que a cadela vive e não somente pela indicação médica. O primeiro ponto é entender como vive a cadela, como é a família dela, se ela convive com outros animais em casa, se ela tem outros contactantes da mesma espécie, sendo eles macho ou fêmea”, pontua. 


Castração precoce

A castração precoce, também chamada de “castração pediátrica”, é aquela que acontece com a cadela ainda em desenvolvimento, antes da fase adulta. De forma geral, isso ocorre antes do primeiro cio. Para as raças de cães pequenos, antes dos seis meses. Para as maiores, de 6 a 12 meses de idade.

Se a cadela convive com cães machos e o tutor não quer que ela procrie, a separação dos dois dentro de casa durante o período do cio pode ser bastante traumática e estressante para os animais. “Tanto o macho quanto a fêmea ficam sem comer ao serem separados neste período”, diz Clímaco.
Neste caso o mais indicado é a castração precoce.

Entre os benefícios em realizar o procedimento ainda na fase pediátrica, está a redução do surgimento de cânceres, como o de mama, muito comum nas cadelas.

“A cada seis meses a cadela entra no cio, provocando um impulso hormonal muito forte que acaba predispondo o aparecimento dos cânceres. Quando castramos a fêmea antes dela experimentar esses impulsos hormonais, essas possibilidades de câncer acabam diminuindo drasticamente”, afirma o veterinário.

Ainda de acordo com o médico, outros pontos negativos que podem ser evitados com a castração precoce são: o sangramento excessivo que ocorre durante o cio, gravidez precoce, quando a fêmea ainda não está desenvolvida o suficiente para parir filhotes.

Por outro lado, a castração pediátrica predispõe a cadela à obesidade, já que os hormônios do metabolismo são retirados dela. Além disso, deixa os órgãos da cadela subdesenvolvidos, por evitar que eles transitem da fase juvenil para a adulta – evento que ocorre durante o período de cio. Os impactos negativos devem ser acompanhados com frequência por um veterinário, para prevenir problemas de saúde.

“A castração precoce acaba ceifando a maturação dos órgãos. Alguns ficam subdesenvolvidos, como a vulva, que a cadela utiliza para urinar. É muito comum uma cadela adulta com vulva juvenil. E isso aumenta o risco de distúrbios na função das vias urinárias inferiores, como infecções urinárias”, explica Clímaco.

Castração tardia

Já no caso das cadelas que são castradas de forma tardia, com mais de dois anos de idade, os benefícios são a maturação completa dos órgãos, tendo todas as estruturas adequadas para uma cadela adulta. “O único benefício que enxergo na castração tardia é ter a maturação de todo o sistema orgânico”, diz Clímaco.

Mas, com a experiência de vários ciclos hormonais, a cada seis meses, mas sem ela engravidar e reproduzir, é possível que ela desenvolva doenças relacionadas ao sistema reprodutivo, como o câncer de útero ou de ovário, infecção uterina.

“Quando a cadela não é castrada logo cedo, ela tem predisposições a ter as doenças do sistema reprodutivo, porque ela está inerte. Na natureza, ela estaria procriando. Em casa e sem contato com machos, ela não está tendo atividades naqueles órgãos, está apenas entrando no cio, mas sem desenvolver o sistema reprodutivo”, explica.

Alternativa do meio

Para o veterinário, o ideal é castrar a cadela pouco tempo depois do primeiro cio. Para ele, esse seria um momento ideal para evitar a maioria dos problemas ou reduzi-los. Geralmente, após sessenta dias do primeiro cio, a cadela já pode ser castrada.

“Eu recomendo a castração depois do primeiro cio, obviamente respeitando o cenário que existe em casa. Neste momento, o impulso hormonal do primeiro cio ainda será muito baixo, a ponto de não levar a uma predisposição ao câncer de mama. Ao mesmo tempo, dá o benefício de a cadela maturar todos os órgãos, após experimentar o primeiro ciclo hormonal, reduzindo as chances de obesidade e dela desenvolver problemas no sistema urinário e reprodutivo.

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