O momento de se despedir do cão  e deixá-lo sozinho em casa pode ser difícil para muitos pais e mães de pets, principalmente se eles choram, ficam agitados, mordem o pé ou tentam impedir os tutores de sair de casa. Com a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), esse problema pode vir a ser ainda mais frequente, devido ao maior tempo que os tutores passaram em casa com os bichinhos.

Foi o caso da cachorrinha, Cacau, de dois meses, da tutora Tatiana Martins. Ela adotou a pequena em meio à pandemia e criou um vínculo muito forte. A rotina da dupla era passar a maior parte do tempo juntas com muitas brincadeiras. No entanto, Tatiana começou a perceber que toda vez que precisa sair de casa, está dormindo ou fica sozinha em algum cômodo, a filhote ataca os móveis, fios e plantas.

"Desde que a Cacau chegou aqui em casa, na maior parte do tempo sempre tem alguém por perto. Mas nos momentos que ela tem a oportunidade de ficar sozinha em algum cômodo da casa, ou em momentos que estamos dormindo, ela aproveita pra destruir tudo que encontra pela frente, como móveis, fios, plantas. Quando preciso sair, ela costuma chorar bastante e fica por horas na frente da porta esperando a minha volta - segundo meus pais. Tentamos interagir com ela nesses momentos, até que ela se acalme.", comenta a tutora. 

Esse comportamento de Cacau tem nome e é "síndrome de ansiedade de separação em pets". Para melhorar a socialização do pet, e consequentemente sua saúde, é essencial que os tutores se familiarizem com o termo e entendam como podem fazer para mudar e até mesmo evitar esse comportamento.

O cachorro que tem ansiedade de separação fica esperando o dono voltar para casa
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O cachorro que tem ansiedade de separação fica esperando o dono voltar para casa


O que é a ansiedade de separação?

Segundo a veterinária da DogHero, Thaís Matos, a ansiedade de separação é um distúrbio de vínculo afetivo comum em cães, principalmente em animais que têm forte apego aos tutores.

Cães que apresentam a ansiedade de separação ficam muito agitados quando percebem que o tutor vai sair de casa. Eles costumam latir ou chorar para chamar a atenção, além de seguirem o dono pela casa inteira e, às vezes, até começam a tremer e puxar pelas roupas dos humanos para convencê-los a ficar em casa. Em casos extremos, os cães podem ficar abatidos, não atender aos chamados e ficar apáticos até o retorno do tutor.

De acordo com o adestrador e comportamentalista Henrique Manfrin, o cão pode também urinar e defecar fora do lugar certo, especialmente nos quartos e sobre a cama dos proprietários. Em casos mais graves, ele pode tentar fugir raspando a porta, tentando pular janelas. Alguns podem se ferir mordendo as patas, lambendo o flanco ou nas tentativas de fuga. 

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Ele ainda afirma que alguns cães podem estar predispostos a desenvolver o problema, geralmente aqueles que foram desmamados e retirados da ninhada antes de 60 dias. Os donos também podem contribuir para o aparecimento do problema por fazer muito alarde ao sair e chegar de casa fazendo festa para o cão. "A castração também pode ser um fator que contribui para aparecimento de ansiedade. Cães castrados são muito mais ansiosos", afirma Henrique. 

Descobri que meu cão está com esse problema. Qual é o tratamento?

De acordo com a veterinária Taís Matos, identificado o problema de ansiedade de separação, o tutor deve adotar boas práticas na educação do animalzinho para evitar a síndrome. É importante que ele consiga lidar com essas questões, pois o comportamento de dependência não nasce com o cão, ele é desenvolvido conforme a criação e convivência com o pai ou mãe de pet. É algo que exige paciência e muito esforço para que o animal se torne menos dependente e não sofra.

Evitando o problema

Segundo a veterinária, uma alternativa é realizar as ‘saídas testes’ ou brincar bastante com o bichinho antes de sair de casa. Assim ele estará mais cansado quando o tutor estiver saindo e vai estar mais propenso a tirar o tempinho sozinho para descansar.

Outra boa prática é não dar muita atenção ao cachorro ou até mesmo ignorá-lo durante os 15 minutos antes da saída. "O maior erro dos tutores é na hora de se despedirem do pet no momento da saída e mostrar para que está sofrendo por ter que deixá-lo sozinho em casa".   

O adestrador Henrique Manfrin apresenta outras formas de evitar o problema. Primeiro, deve-se respeitar o tempo certo de desmame do animal, quando ele ainda é um filhote, separando-o da mãe e da ninhada apenas com 60 dias.

É importante que o pet se distraia com outras coisas que não estejam relacionadas ao dono
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É importante que o pet se distraia com outras coisas que não estejam relacionadas ao dono

O segundo ponto é fazer um trabalho preventivo, evitando reforçar com atenção comportamentos ansiosos, ensinando o cão a ser independente e a ficar sozinho mesmo quando o dono está em casa. "Podemos ensinar o cão a entrar e relaxar dentro da caixa de transporte ou de um cercadinho", diz o especialista.

O terceiro passo é criar uma rotina estável para o cão, com atividades que gastem suas energias. Passeios, enriquecimento ambiental adequado (prover brinquedos e outros estímulos para manter o cão ocupado com algo). A atitude mais importante, de acordo com o adestrador, é deixar o cão dormir sozinho em seu cercadinho e ignorar o choro dos primeiros 3 ou 4 dias. "Avise os vizinhos sobre a chegada do filhote para que compreendam o problema".

Se o proprietário fizer tudo isso e não ver melhoras no comportamento do cão, a melhor opção é buscar ajuda de um profissional do adestramento e considerar colocar o cãozinho numa creche ou escolinha de 3 a 5 dias na semana. Um segundo cachorro pode ajudar em alguns casos, mas isso deve ser bem estudado pelos proprietários para que o problema não se multiplique por dois.

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