Um animal de estimação faz parte da família e deixa um grande vazio quando se vai
Rebecca Scholz/Pixabay
Um animal de estimação faz parte da família e deixa um grande vazio quando se vai

Perder um animal de estimação é sempre muito triste e pode virar a vida dos tutores de cabeça para baixo. Gera uma grande mudança na rotina e deixa um enorme vazio.

Quando isso acontece, cada pessoa pode reagir de uma maneira diferente, alguns acreditam que nunca mais vão ter um outro animal, já outros querem adotar um novo pet para que este preencha o espaço vazio deixado pelo anterior.

Para ambos os casos, existem prós e contras. Como estudos já comprovaram, os cães têm um imenso valor social para as pessoas e criam um grande vínculo de afeto e companheirismo e os gatos são considerados como filhos por muitas pessoas que sequer pensam que ter uma criança. Quando um animal de estimação se vai, a princípio, é comum não saber como lidar com os sentimentos.  

Ao Canal do Pet, a psicóloga Shana Wajntraub explica que vivenciar o luto, antes de buscar um “substituto” é uma forma de dar significado à experiência que se teve com o animal. “É transformar a tristeza em saudade e se permitir experimentar a vida sem outro animal de imediato, buscando um novo sentido nesse novo cenário”, diz.

Muitas pessoas são bastante apegadas aos animais de estimação e sentem uma intensa dor quando eles morrem, e adotar um novo animal parece ser a solução mais óbvia. Porém, por mais doloroso que seja, o processo de luto é essencial para poder seguir em frente com uma nova vida, após a perda.

Para a psicóloga, o perigo de “substituir” é a pessoa não se permitir viver a experiência do ludo, que é necessária e saudável em nossas vidas e nos faz entender que tudo tem um fim.

Adotar um novo pet ajuda a lidar com a saudade, mas o processo de luto deve ser vivido
Martina Lepore/Pixabay
Adotar um novo pet ajuda a lidar com a saudade, mas o processo de luto deve ser vivido

“Saber encarar essa experiência e lidar com ela é importante. Perceber a finitude nos ensina a viver cada momento mais inteiro, sabendo que tudo é passageiro e que está tudo bem. Já que é assim, vamos aproveitar as coisas boas desse mundo”, reflete.

Pesquisas já mostraram que, atualmente, o número de animais de estimação nos lares já supera o número de crianças e, embora no passado os animais fossem mais usados em funções como a caça – e os gatos considerados seres místicos em diversas culturas -, com o passar dos anos se estabeleceu um vínculo puramente emocional.

O momento certo para ter um novo pet está intimamente ligado às emoções de cada um. Contudo, é preciso ter em mente que cada animal é um indivíduo único, sendo diferentes entre si, e que tentar colocar um novo pet no lugar, a fim de retomar o que se tinha com o anterior, não é indicado e pode prejudicar a vida com o novo bichinho.

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Shana afirma que é um risco tentar reproduzir algo do passado de forma idêntica, e que muitas vezes pode causar frustração e ainda mais confusão.

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Viver o tempo de luto é importante para que assim se possa dar uma chance a um novo animal que precise
Rebecca Scholz/Pixabay
Viver o tempo de luto é importante para que assim se possa dar uma chance a um novo animal que precise

“Como dito, cada ser é único e a melhor maneira de lidar com isso é saber estar aberto a receber esse outro ser de forma integral. Ou seja, é essencial deixar a experiência do antigo pet assentar, criar um lugar próprio para ele em sua memória. Depois, tentar se conhecer melhor sozinho para poder no futuro receber outro pet sem tantas expectativas associadas ao anterior”, orienta a psicóloga.

Muitas pessoas colocam o mesmo nome do animal perdido no pet novo, adotando até mesmo um pet da mesma raça, o que pode não fazer bem até mesmo para o próprio animal, que não terá como ser igual ao que esteve em seu lugar anteriormente. Alguns especialistas aconselham que a melhor opção é que a pessoa escolha um novo animal que seja completamente diferente de raça, sexo ou cor.

Para Shana, o importante é ouvir a si mesmo e dar significado à experiência do luto, conversando com familiares, expressar o que sente e lembrar dos bons momentos juntos. “É importante lembrar de forma positiva sobre toda a experiência com o pet que se foi, saber que você o fez feliz e que deu todo o amor que você pode. Lembre-se, ninguém vive para sempre, e o que importa é saber se ele pôde ser feliz no tempo que esteve aqui”, diz.

É importante pensar que o animal que partiu ficaria feliz em saber que o tutor pode oferecer a um novo animal o mesmo amor que oferecia a ele
Mikhail Timofeev/Pixabay
É importante pensar que o animal que partiu ficaria feliz em saber que o tutor pode oferecer a um novo animal o mesmo amor que oferecia a ele

A psicóloga também lembra que é importante ter paciência, pois alguns sentimentos apenas o tempo ajuda a curar. Para ela, a pessoa deve “se permitir viver coisas novas, sair um pouco para ver que o mundo ainda continua lá fora, sentir que o amor que ela teve pelo pet vai ser muito bem recebido por outros seres nesse mundo”, e afirma “tenho certeza que o pet [que se foi] ficaria feliz se o tutor pudesse cuidar também de outros animais como cuidou dele, e que ele também ainda vai poder receber muito carinho de outros pets”.

Cada animal é especial à sua própria maneira e é importante que se possa fornecer um lar a outro animal necessitado e que a falta do animal que partiu, com o tempo, se transformará em boas lembranças.

“Saudade é um sentimento que não passa, apenas alivia. Mas saudade quer dizer que você e seu companheiro foram felizes. A finitude faz parte do processo, tudo vai acabar um dia. Perante isso, o que importa mesmo é saber que tudo que houve foi bem vivido e foi feito da melhor forma. No final, o mais importante é que todos nós, humanos e animais, possamos ter uma experiência agradável nesse mundo, mesmo que passageira. E saber que isso foi possível traz um alívio”, conclui a psicóloga.

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