Benefícios e cuidados na alimentação
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Benefícios e cuidados na alimentação

A forma como um cachorro reage diante do pote de comida pode revelar muito mais do que simplesmente fome.  Por trás do olhar atento e da empolgação, existe um conjunto complexo de fatores que influenciam a aceitação ou a recusa de um alimento.

Textura, aroma, temperatura e até a rotina do dia a dia moldam as preferências dos cães.

A veterinária Mayara Andrade, da GranPlus (BRF PET), reúne dados e observações práticas para ajudar os tutores a entenderem melhor a dinâmica alimentar de  seus companheiros.

“Observar e compreender melhor como os cães interagem com o alimento é fundamental para garantir que eles recebam não apenas os nutrientes de que precisam, mas também refeições que despertem interesse. Afinal, quando o pet aceita bem a dieta, temos mais segurança de que ele está se alimentando de forma adequada e saudável", explica a profissional.

O impacto da textura

A textura da comida tem um peso significativo na decisão canina. Alguns cães se adaptam bem a crocantes e grãos secos; outros, nem tanto. A preferência varia, mas tem implicações que vão além do gosto.

“Pensar na textura, seja crocante, macia ou uma combinação entre ambas, é essencial para garantir aceitação, prazer na refeição e benefícios para os cães", recomenda Mayara.

Além do prazer, a consistência da ração ou do alimento úmido pode auxiliar (ou dificultar) a mastigação e a saúde bucal. Isso significa que, em alguns casos, o alimento ideal precisa ser adaptado à condição física do animal.

Ao contrário do que muitos imaginam, os cães não aceitam qualquer comida apenas por instinto. Eles têm preferências alimentares claras, que envolvem aspectos físicos, emocionais e ambientais.

“Eles apresentam preferências alimentares individuais influenciadas por fatores fisiológicos, comportamentais e ambientais. Aspectos como aroma e sabor, além de características específicas do alimento, como tamanho, formato, dureza, densidade, umidade, também afetam a aceitação", explica Mayara.

Como manter o alimento do pet sempre fresco
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Como manter o alimento do pet sempre fresco

A recusa à comida pode, inclusive, ser um sinal de desagrado com algum ingrediente ou mesmo com a forma como a refeição está sendo apresentada. Cabe ao tutor interpretar essas pistas.

"Se come com entusiasmo, se demonstra interesse pelo pote ou se deixa restos. Esses sinais ajudam a identificar preferências, mas é fundamental que a base da dieta seja sempre um alimento completo, balanceado e de qualidade. Assim, conseguimos unir saúde e prazer na refeição”, completa.

Nariz sente mais que a língua

Com menos papilas gustativas que os humanos, os cães compensam essa diferença com um olfato extremamente sensível. E isso faz toda a diferença no apetite.

“Por isso, o desenvolvimento de alimentos cada vez mais saborosos é uma tendência crescente na nutrição pet, com fórmulas balanceadas e de alta palatabilidade, criadas para conquistar até os paladares mais exigentes — garantindo não apenas prazer, mas também saúde e bem-estar", reforça a veterinária.

Enquanto os humanos percebem cinco sabores principais, os cães têm uma experiência gustativa mais limitada, mas intensificada pelo cheiro. Temperatura e aroma, nesse caso, fazem toda a diferença.

Quando alimentar? 

Estabelecer horários previsíveis para as refeições ajuda o organismo dos pets a funcionar melhor. E, mesmo que não exista uma hora "universal", criar uma rotina é altamente recomendado.

“O número de refeições ao dia varia de acordo com a necessidade de cada pet e também da rotina do tutor, mas, em geral, é recomendado alimentar cães adultos saudáveis pelo menos duas vezes ao dia."

"Os horários sugeridos são pela manhã e no final da tarde, antes do horário de descanso, para evitar desconfortos digestivos durante a noite. É importante também alimentá-los imediatamente após atividades físicas intensas, para prevenir problemas digestivos", orienta.

Alimentar com consciência, portanto, vai além de escolher uma boa ração. Envolve atenção, escuta e adaptação às necessidades reais do animal. Porque, para os cães, comer é muito mais do que se nutrir, é também uma experiência sensorial e emocional.

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