Quando nossos animais de estimação têm algum problema de saúde, ficamos desesperados e tentamos fazer de tudo para que eles melhorem e fiquem confortáveis com sua condição.

A médica veterinária Ana Carolina Dias levou um susto quando seu cão Calvin, um cocker spaniel inglês de 7 anos, foi diagnosticado com catarata associada à atrofia de retina e, para melhorar a vida do animal, resolveu que mostraria o mundo para ele antes que ele perdesse totalmente a visão. Ela contou como foi o processo de descoberta e como está lidando com isso. 

“Percebi uma diferença nos olhinhos dele em um sábado a noite quando eu e a minha família estávamos jantando na cozinha, onde a luz é branca. Quando o Calvin olhou para cima, na nossa direção, a luz tornou possível enxergar uma pequena mancha esbranquiçada em ambos os olhos”, conta Ana. Como a dona do animal é veterinária, resolveu pesquisar artigos sobre catarata em cães da mesma raça do seu para entender um pouco mais da doença.

A primeira surpresa de Ana Carolina foi um estudo sobre um problema pouco conhecido que pode atingir os cachorros dessa raça. “Encontrei um artigo que mencionava a catarata associada à atrofia de retina como um problema genético para os cães como o Calvin, e também para os cães da raça Cocker Spaniel Americano. Mas pensei que era só um estudo e que o meu cãozinho não se encaixaria dentro dele”, diz a veterinária. 

Passado o fim de semana, a profissional  levou Calvin ao oftalmologista para ver se existia a possibilidade do cão passar por uma cirurgia corretiva. “Essa operação consiste em trocar a lente natural do olho por uma lente  artificial”, explica Ana. “Em animais com atrofia de retina, não adianta fazer a cirurgia da catarata. O procedimento permite que a luz chegue na retina, mas não adianta a luz chegar se a retina não tem células para formar a imagem.” Após a consulta, Ana levou seu cão para fazer alguns exames e ver se ele realmente tinha só catarata ou se era o que ela temia. 

cão
Instagram/ mv.anacarolinadias
Ana Carolina e Calvin

O primeiro exame chama eletrorretinograma, que precisa ser feito com o animal sob anestesia. “Assim, desde o momento da consulta até o momento do exame foram alguns dias de angústia, porque eu queria saber o resultado logo, mas ao mesmo tempo, eu estava muito otimista. Para mim, a atrofia de retina não era impossível, mas era improvável. Eu não achava que o Calvin seria um exemplo de estudo da literatura veterinária”, infelizmente, Ana Carolina foi surpreendida de uma forma ruim. “Ao ouvir o diagnóstico, comecei a chorar.”

Ela conta que ficou frustrada e se sentindo impotente, já que não existe nada que pudesse fazer nesse caso. “Além disso, foi o primeiro sinal de que o meu cãozinho está envelhecendo e um lembrete de que os nossos bichinhos não são eternos”, desabafou. “A questão agora era quanto tempo nós tínhamos até a atrofia de retina causar a cegueira total. No entanto, não existe como prever esse momento, pois ele depende de cada animal e pode levar alguns meses ou até dois anos”, completa a veterinária.

Por isso, ela decidiu que aproveitaria ao lado de Calvin o máximo de tempo de visão possível. “Ele adora passear de carro, com a cabeça para fora, sentindo o vento no seu rostinho e admirando diversas paisagens”, conta Ana, que também disse que o animal ama a natureza, correr atrás de passarinhos de tomar banho de mar. Pensando nisso, ela resolveu que levaria ele para fazer tudo isso em todos os momentos que pudesse.

“Nos nossos momentos livres, vamos pegar o carro e sair por aí explorando as estradas do nosso estado para ele ver e sentir a natureza - seja o vento, o céu,o sol, as árvores ou o mar - e guardar bem tudo isso na lembrança”, diz Ana, emocionada. O que mais a surpreendeu, foi a solidariedade das pessoas. “A gente tem recebido muitas mensagens de carinho, de pessoas nos desejando força, de pessoas compartilhando as suas experiências… E tudo isso tem nos confortado e tem enchido os nossos corações de amor”, finaliza. 

Uma frase muito bonita que a dona de Calvin quis compartilhar é do livro “O Pequeno Príncipe”. “‘Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos’. Não poderemos evitar que o Calvin perca a visão, mas faremos ele sentir o nosso amor cada dia mais forte.”

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