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A esporotricose é transmitida por um fungo que usa feridas como meio de entrada no organismo do animal

A esporotricose é uma doença que pode atingir tanto animais quanto humanos, se caracterizando assim como uma zoonose. O seu principal agente transmissor é o Sporothrix schenckii, um fungo que usa feridas como meio de entrada para o organismo.

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Considerada uma "micose profunda", a esporotricose pode causar lesões e ferimentos de diferentes graus de severidades pelo corpo do pet. A doença afeta a pele, o tecido subcutâneo, os vasos linfáticos e, em casos graves, pode atingir órgãos internos.

Como ocorre a transmissão da esporotricose?

Além do método de transmissão padrão (pela entrada do fungo em um ferimento aberto), a esporotricose pode ser transmitida inclusive por animais saudáveis. Um exemplo são as unhas dos gatos, que podem ser uma fonte de acúmulo de fungos, colocando quem é arranhado por eles em grave perigo. Por isso é importante higienizar as patas do pet periodicamente.

Manter as unhas do gato higienizadas é importante para evitar a esporotricose.
Reprodução/ Pinterest
Manter as unhas do gato higienizadas é importante para evitar a esporotricose.


O fungo transmissor da doença se adapta melhor em ambientes quentes, sendo mais comum em regiões temperadas ou tropicais. Ele pode ser encontrado em diversos lugares, como na terra, em jardins ou matas - assim como em locais com pouca higiene, como lixões e áreas mais carentes de vigilância sanitária. Entre os animais a contaminação ocorre com mais facilidade, visto que as brigas entre cães e gatos são comuns e eles têm pouco cuidado ao entrar em qualquer tipo de ambiente.

Já com os humanos, as pessoas mais sucestíveis à patologia são aquelas que trabalham diretamente com vegetais; como floricultores, jardineiros, trabalhadores rurais e mineiros. Mas segundo a veterinária da farmácia de manipulação DrogaVET, Andressa Felisbino, a doença é mais agressiva com os felinos, sendo considerada  pouco perigosa para os humanos. “[A esporotricose] raramente é grave em humanos, mas pode gerar lesões severas nos gatos, especialmente na cabeça, atacando progressivamente a pele, os músculos, ossos e, em casos mais graves, até os órgãos internos, resultando em óbito do animal”, detalha a especialista. 

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Os sintomas da esporotricose

Os sintomas começam a se manifestar da mesma maneiram para cães e gatos: Com o aparecimento de lesões na pele (principalmente na região da cabeça e nas extremidades). Essa ferida pode inflamar, resultando no aparecimento de pus. 

A patologia pode ter três manifestações distintas:

  • Cutânea:  Nódulos aparecem em pontos específicos da pele;
  • Cutâneo-Linfática:  A infecção progride da fase cutânea e passa a atingir o sistema linfática (que transporta líquidos para o sistema circulatório) do animal;
  • Disseminada:  Nesse estágio a doença começa a afetar os órgãos internos do hospedeiro;

Os sintomas mais comuns da esporotricose são:

  • Nódulos firmes na pele;
  • Queda de pelo;
  • Aparecimento de úlceras no tronco, cabeça e orelhas;
  • Febre;
  • Anorexia;
  • Pele ressecada;
  • Vômitos.

Quando a doença chega na fase disseminada, o animal pode apresentar outros problemas, como:

  • Problemas respiratórios;
  • Dificuldade em se movimentar;
  • Distúrbios gastrointestinais.

Diagnóstico e tratamento

Essa patologia pode ser facilmente confundida com outras enfermidades (como leishmaniose ou a herpes), por isso é necessário que um profissional conduza um diagnóstico preciso. Os exames mais realizados são as biópsias, exames de sangue e a raspagem de pele (que permite que o veterinário analise o tecido cutâneo em um microscópio).

Ambientes sujos, como o lixo, podem ser uma fonte de concentração dos fungos da esporotrícose.
Reprodução/ Shutterstock
Ambientes sujos, como o lixo, podem ser uma fonte de concentração dos fungos da esporotrícose.


Alguns cuidados especiais que se deve tomar com pets infectados são:

  • Desinfecção do ambiente com hipoclorito de sódio sob a orientação de um médico veterinário;
  • O isolamento do animal doente de outros pets sadios;
  • Uso de luvas descartáveis ao manusear o bichinho;
  • Realização de assepsia em todas as pessoas que tiveram contato constante com o animal;
  • Caso o pet venha a falecer, ele não deve ser enterrado em qualquer lugar - isso pode causar um novo foco da doença. A melhor alternativa é a cremação.

Segundo a veterinária Andressa Felisbino, veterinária da DrogaVET, o remédio antifúngico indicado para o tratamento dos pets é o Itraconazol , que pode ser vendido nas formas de cápsulas, pasta oral, suspensão ou xarope. Mas atenção, ela adverte: É preciso administrar esse remédio com cuidado e a posologia adequada para cada animal deverá ser prescrita por um médico veterinário, que avaliará o peso, a idade e o estágio em que a doença se encontra.

Como principal medida de prevenção, a profissional recomenda que se castre os animais. “Esta é, sem dúvida, a maneira mais eficaz de diminuir a possibilidade de exposição dos felinos à doença, minimizando a disposição dos gatos de saírem de seus lares, de se reproduzirem e se arranharem, uma vez que a arranhadura é a forma principal de contágio”, pontua Andressa.

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A esporotricose pode ser fatal se não tratada corretamente logo no início dos sintomas. Apesar disso, ela possui cura. Antifúngicos podem ser aplicados sob a orientação de um veterinário - assim como suplementos e vitaminas -, de forma oral ou injetados.

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