Os cães são os principais hospedeiros da Leishmaniose Visceral, neles a doença é chamada de Leishmaniose Visceral Canina

Transmitida aos cães e ao homem pela picada de inseto flebótomo – conhecido popularmente por mosquito-palha, birigui, cangalhinha, asa branca, asa dura e palhinha – a Leishmaniose Visceral pode ser fatal para crianças e idosos, e também para os cães que a contraem. A doença tem ampla distribuição geográfica, ocorrendo na Ásia, na Europa, no Oriente Médio, na África e nas Américas. Nos cães ela é conhecida como Leishmaniose Visceral Canina.  

A leishmaniose visceral canina é uma das doenças de cachorro mais perigosa
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A leishmaniose visceral canina é uma das doenças de cachorro mais perigosa

 Um dos grandes desafios no combate à Leishmaniose Visceral são as questões socioeconômicas, como a falta de saneamento básico e alimentação adequada. Identificada no país em 1934, a doença se espalhou a partir da década de 1980e hoje, está presente em todas as regiões do Brasil. Na tentativa de combate a doença muitos cães foram sacrificados por acreditarem que a Leishmaniose Visceral Canina era a causa da epidemia. 

Transmissão da Leishmaniose Visceral

A transmissão depende de um vetor – no caso um inseto – e de um hospedeiro, que funciona como um reservatório da doença. Vários mamíferos tem esse papel: caninos, felinos, roedores, marsupiais, primatas e até o homem. O cão doméstico é o reservatório urbano mais importante devido à alta prevalência da doença neste animal nas áreas endêmicas, e também pela sua capacidade de infectar o “mosquito-palha”. Por ser muito próximo do homem e estar presente em grande número de lares, tornou-se o principal alvo de uma política pública questionável, que determina a eliminação dos animais doentes.

Por isso, nunca é demais frisar: não se pega leishmaniose por contato com cães ou outros animais, mas pela picada do inseto que estiver infectado. É o inseto que transmite a doença de um animal para outro, inclusive para o homem. Proteger o cão é proteger toda a família.

Leishmaniose Visceral Canina (LVC)

Nos cães a doença não manifesta os sintomas em 60% dos casos. Os principais sinais indicativos da Leishmaniose Visceral Canina (LVC) são perda de peso progressivo, lesões em pele (descamação, perda de pelos, feridas ulcerativas), crescimento exagerados das unhas, aumento dos gânglios linfáticos (linfonodos), entre outros. Porém estes sinais não são conclusivos que o cão tem Leishmaniose, já que os mesmos sintomas podem ser observados em outras doenças.

A LVC é uma doença de diagnóstico complexo, o clínico deve estar bem preparado para diferenciá-la de enfermidades como dermatofitose, sarnas, doenças autoimunes e hormonais, erliquiose, babesiose, linfoma e outras neoplasias. O diagnóstico correto é o primeiro passo para uma conduta consciente, caso a caso.

Prevenção da Leishmaniose Visceral Canina (LVC)

A vacina  é comercializada no Brasil desde 2004 e deve ser iniciada em cães a partir dos 4 meses de idade, saudáveis e previamente testados para a doença. O protocolo completo é de três doses, com intervalo de 21 dias entre cada aplicação. A revacinação deve ser feita um ano após a primeira dose e, a partir daí, basta uma dose de vacina para manter o animal imune.

O cão só estará protegido 21 dias após a terceira dose da vacina. Até que se cumpra esse período (63 dias da primeira dose) o animal poderá contrair a doença, portanto outras medidas de prevenção devem ser adotadas até o esquema vacinal estar completo.

Medidas adicionais de prevenção

1. Mantenha o animal dentro de casa ao entardecer (entre 18h e 6h). Coloque telas nas janelas e no canil, espalhe vasos de citronela pelo quintal. Nunca leve o cão para áreas endêmicas (cidades onde já existe a doença) sem que ele esteja protegido.

2. Limpe seu quintal. Recolha folhas, flores e frutos caídos e as fezes dos animais. Feche bem o seu lixo.

3. Coloque repelente (coleira ou spray) no seu cão e o proteja da Leishmaniose Visceral Canina.

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