Não existe coisa mais fofa do que ver publicações de bebês ou de animaizinhos, não é mesmo? E elas são ainda melhores quando juntam os dois em um clique ou post só . Porém, ainda há pessoas que acreditam que o convívio entre os pequenos e os cachorros não é algo recomendado e pode ser até perigoso. Será que isso é verdade?

De acordo com Jade Petronilho, Coordenadora de Conteúdo Veterinário da Petlove, a convivência é totalmente possível desde que o pet tenha sido socializado e acostumado com bebês desde que era um filhote. Do contrário, o indicado é que os pais façam um trabalho com o peludo antes da chegada do filho humano junto a um especialista em comportamento.

Bebê sentado ao lado de cãozinho
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A relação entre os bebês e os cães é totalmente possível e pode até gerar benefícios para ambos

É importante que a rotina do cachorro seja o mais parecida com a de antes possível, para minimizar o estresse do animal e evitar problemas. Conhecer bem o pet, seu temperamento e sinais que ele possa dar caso não esteja muito satisfeito com a chegada do novo companheiro também são pontos fundamentais.

A especialista explica tudo o que você pode fazer para a relação cãozinho e bebê aconteça da melhor forma possível

Preparando o cão antes da chegada do bebê

De acordo com Jade, existem várias formas de preparar o cão para a chegada do bebê. "Naturalmente, nossos pets percebem que há algo diferente não somente pelas mudanças na casa e na rotina que acontecem ao longo do tempo de gestação, mas principalmente pelos odores e pelos hormônios produzidos pela mulher neste período. A natureza é incrível e eles sabem que algo novo está por vir", explica.

Cão deitado em cima de barriga de mulher grávida
reprodução shutterstock
Acostume seu cão desde cedo para a chegada do bebê não gerar ciúmes

É bem importante não deixar o cachorro de lado e seguir com a rotina dele, de modo que não fique ocioso ou com mais energia. "Mostrar os brinquedos, o quarto e outros objetos que tenham a ver com o bebê, associando a algo positivo, como um carinho ou petisco, é um ótimo começo", conta Jade.

Usar feromônios sintéticos e florais específicos para a chegada de um novo membro na casa pode ajudar bastante no processo. Outra dica dada pela especialista é estimular situações com uma boneca, especialmente em casos em que o cão não está acostumado com crianças.

"Algumas pessoas levam para casa, antes do bebê sair da maternidade, peças de roupa que foram usadas por ele, como lenços e outros materiais que tenham o cheiro do novo irmão humano, para que os cães interajam e recebam carinho se se comportarem bem ao sentirem aqueles odores."

Meu bebê nasceu. Quais são os cuidados iniciais?

A forma como será feita a apresentação entre os dois dependerá do temperamento do cachorro e se ele é acostumado com crianças. Um cão que foi devidamente socializado e nunca apresentou problemas com pessoas e outros animais pode ter o primeiro contato com o bebê assim que ele chegar em casa.

O bebê deve estar no colo de alguém conhecido (e querido) pelo pet, permitindo que ele possa "cheirar", cuidadosamente, o novo amigo. Se ele agir conforme o esperado, deve ser premiado de alguma forma, seja com carinho, com palavras gentis, ou até mesmo com alimento. "Essa apresentação deve ser gradual e, obviamente, um bebê não deve ficar com um cão sem supervisão em hipótese alguma", diz Jade. 

Agora, se o cachorro é mais receoso, tende a ser agressivo e não foi socializado com crianças, esse cuidado precisa ser maior. "A pessoa pode ir apresentando aos poucos elementos que foram usados pelo bebê, como roupas e cobertas, premiando ele quando se comportar como esperado e, aos poucos, ir mostrando o bebê. O ideal é que nesses casos sempre tenha mais de uma pessoa no ambiente para observar de perto a situação".

Há raças de cachorro mais indicadas para o convívio com bebês?

Jade explica que existem algumas raças que são super indicadas para conviver com bebês, como os boxers. Cães pitbulls, apesar de ainda terem uma fama ruim , são conhecidos como "cães babás", por estarem sempre atentos aos bebês da família e não os deixarem por nada quando criam um vínculo saudável. Eles poderão ser uma boa opção também.

No entanto, cães de porte muito grande podem ser um pouco perigosos para os bebês. Isso porque eles podem acabar machucando os pequenos mesmo sem querer. Porém, o tamanho não é regra. De acordo com a especialista, cães de raças pequenas podem ter uma tendência maior a morderem por ser menos tolerantes e irritadiços. Vai depender de cada cachorro e de seu processo de socialização.

"Muitas pessoas ficam receosas, mas como disse antes, se o cão convive com a família, ele consegue perceber que estão acontecendo mudanças na casa e na mulher durante toda a gestação. Muitos sinais que ele dá durante esse período também demonstrarão como ele poderá reagir com a chegada do bebê", afirma Jade.

O convívio entre bebês e cachorros pode ser benéfico?

Para a especialista "não há nada mais benéfico e importante para uma criança do que ter um pet". Segundo ela, bebês que convivem com animais tendem a ser mais empáticos, menos tímidos e criam melhor a capacidade de entender o limite do outro.

"Uma criança que aprende a respeitar um animal e entende suas dores tende a levar isso para outros campos da vida. Além disso, seu senso de responsabilidade, por cuidar de uma vida que depende totalmente de nós, também pode ser estimulado por conta dessa relação".

Bebê deitado em cima de cão
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Veja dicas importantes e prepare o seu cãozinho antes da chegada de um bebê

Já para o pet, conviver com crianças ajuda a desenvolver mais paciência e muitos acabam ficando mais delicados por estarem com o bebê por perto. Se os pais ensinam o bebê desde cedo a como cuidar do pet, sem puxar seus pelos, rabo ou orelha, oferecendo amor e entendendo quando ele não está gostando de uma determinada abordagem, eles certamente poderão ser grandes amigos durante a vida toda. Além disso, muitos pets acabam ficando mais ativos e mais felizes com a chegada do irmão humano, especialmente quando já conseguem brincar juntos.

Porém, a veterinária faz uma observação importante: forçar essa interação não deve ser uma opção. A ideia é que desenvolvam um laço de amizade duradoura ao longo do tempo. E isso, é completamente possível. "Fui criada com animais durante toda a minha vida e tenho certeza que esse foi um dos maiores presentes que meus pais me deram", finaliza. 






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