
A morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, provocou ampla repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a punição de crimes de maus-tratos contra animais.
O caso mobilizou milhares de pessoas nas redes sociais e impulsionou abaixo-assinados que cobram justiça e mudanças na legislação.
Conhecido por circular livremente entre moradores e visitantes, o animal, de aproximadamente 10 anos, foi encontrado com ferimentos graves após dias desaparecido. De acordo com relatos, Orelha desapareceu após ser chamado durante a madrugada por um grupo de adolescentes. Na manhã seguinte, foi encontrado ainda com vida, em estado grave, por moradores do bairro.
Nas redes sociais, milhares de publicações passaram a cobrar justiça, reunindo artistas, influenciadores e ativistas da causa animal. A mobilização virtual também ganhado forças. Duas petições na plataforma Change.org já somam mais de 308 mil assinaturas.
A maior delas, intitulada “Crueldade contra animais é crime grave: penas equivalentes já”, foi criada pela organização Desafio Meio Ambiente e ultrapassou 227 mil apoios. O texto defende que crimes contra animais recebam tratamento semelhante ao de outras formas de violência.
“Animais sentem dor, medo e sofrimento. A vida deles tem valor. Justiça não pode depender da espécie da vítima”, afirma a organização Desafio Meio Ambiente, responsável pela iniciativa.
Outra campanha, idealizada por Charles Oliveira, também ganhou destaque. A petição “Justiça para o cãozinho Orelha. Chega de impunidade para quem maltrata animais!” já reúne mais de 81 mil assinaturas e reforça o apelo por responsabilização dos envolvidos.
“Orelha era um cão comunitário, dócil e querido por moradores e turistas. Sua morte não pode ser em vão. A mobilização mostra que a sociedade não aceita mais a impunidade”, afirma Charles Oliveira.
Embora os maus-tratos a animais sejam crime no Brasil, especialistas e organizações apontam que as punições ainda são brandas e nem sempre aplicadas de forma eficaz, o que favorece a repetição de casos de violência.
Diversos famosos usaram as redes sociais para pedir responsabilização e reforçar que maus-tratos contra animais são crime.
O comediante Rafael Portugal cobrou punição aos responsáveis. “Vai ter que ter Justiça. (...) Eles precisam entender que existe consequência. Vamos gritar e vamos falar”, afirmou.
A cantora Ana Castela também se manifestou publicamente. “Queria dizer pra vocês que é crime! Matar cachorro é crime (...) Eu estou passando aqui para prestar o meu apoio, não só pelo cachorro Orelha, mas também por todos os outros animais que já sofreram.”
As atrizes Heloísa Périssé, Paula Burlamaqui e Mel Lisboa também se uniram por justiça.