Carolina em uma prova de salto com sua égua, chamada Caroline Santa Dalila (Carol)
Fernando Faciole
Carolina em uma prova de salto com sua égua, chamada Caroline Santa Dalila (Carol)

Os cavalos são animais que fazem parte do imaginário popular e, para cria-los, é necessário um espaço adequado e recursos que não estão disponíveis para todos. Para alguns, a criação é também um negócio, para outros é pura paixão. Carolina Botelho , convive com esses animais desde a sua infância e conta ao Canal do Pet um pouco de sua relação pessoal com esses animais, da criação, dos cuidados e do treinamento para competições amadoras.

Carolina sempre teve um grande contato com esses animais, antes mesmo de ter cães, já era próxima aos cavalos. Ela conta que já monta a cavalo desde a infância em uma hípica na capital de São Paulo, na qual seus avós eram sócios, sendo o avô um dos fundadores. A paixão por cavalos passou de geração para geração na família. A relação com esse bichos gigantes é algo que vem do sangue.

Atualmente possui quatro cavalos que ficam em um clube próximo à sua casa, onde há toda uma estrutura com tratador, veterinário e todo o essencial para dar o conforto e assistência que os animais precisam.


Criação 

Para a criação de cavalos, Carolina explica que se tornou algo simples (talvez não muito barato) o acesso a sêmen de cavalos, conhecidos como "garanhões confirmados" (semelhante ao pedigree dos cachorros), verdadeiros cavalos com carreira. Para quem possui uma égua, mas não tem o garanhão, pode então fazer a inseminação para gerar os potros.

Há um acompanhamento veterinário para todos cavalos, como questões de saúde e alimentação no dia a dia. "Temos uma pessoa responsável para esse manejo, em termos de cuidados, de exercícios e alimentação. Então, nós fazemos essa criação para que nos divirtamos com eles. Nós não temos uma criação focada em comércio desses animais", diz.

A criadora explica que o que fazem é por prazer e competem apenas como amadores, uma atividade entre tutor e animal. Há um apego enorme a esses animais, que são considerados também como filhos. Eles não podem ficar em casa, mas estão a poucos minutos de distância que há um convívio diário entre eles.

Os cavalos, assim como os cachorros e os gatos, demonstram como estão se sentindo de formas diferentes. Cada cavalo é um indivíduo único, com seus costumes e personalidade.

Ela conta com carinho sobre seu primeiro cavalo, Cacau, que a levou para competições e a ajudou a ganhar coragem para os saltos. Além dele, também teve o Chronus, que também a ensinou muito, levando-a às provas de dressage (adestramento), que é parte do hipismo clássico.

"Eu vivo isso desde sempre, eles reconhecem a nossa voz, os cavalos têm expressões faciais. Eles são muito sensíveis, apesar de não falarem verbalmente. O Chronus, por exemplo, apontava a cabeça para onde estava doendo, eles têm uma sensibilidade ímpar", conta.

Fortes, porém frágeis

Chronus e Cacau
Arquivo pessoal/Carolina Botelho
Chronus e Cacau

“Eu percebi o quão frágeis são os cavalos quando perdi o Cacau em 2016. Ele teve uma cólica que nós não conseguimos reverter de maneira clínica, no clube, então ele precisou ser operado. Após isso, teve dificuldades respiratórias e, para se levantar, apesar de sustentado pela cabeça e pelo rabo, ele acabou escorregando e quebrando a tíbia. Eu estava lá, aguardando-o sair do pós-cirúrgico. Foi muito difícil ver essa cena, chorei muito. Mas aí eu percebi o quão frágeis eles são”, relatou.

Outro acontecimento que a marcou foi com Chronus, um cavalo de 1,84 cm, considerado espetacular. Mesmo com porte bastante alto, Carolina conta que o que tinha de altura também tinha de generosidade, era superdócil, como um pet gigante. O animal sofreu com linfangite. Após conseguirem reverter algumas complicações, acabou evoluindo para uma espécie de artrose/artrite. Ele teve uma infecção nos jarretes (joelhos do cavalo), que o deixou internado por volta de cinco meses, sendo operado algumas vezes e passando por uma clínica de reabilitação. Contudo, a linfangite voltou e não foi possível recuperá-lo dessa vez. Uma de suas pernas já estava sobrecarregada e houve o que chamam de aguamento, que causa o descolamento do casco.

"Cacau estava com 16 anos e Cronus com 13, foram episódios bastante dolorosos. Os cavalos são considerados membros da família, e possuem sentimentos como qualquer outro pet", conta a criadora.

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Estrutura e trabalho em equipe

Para Carolina, o fundamental quando se pensa em montar a cavalo ou ter uma criação, é preciso saber que esses animais são muito frágeis e devem ser respeitados. O cavalo é como um atleta que precisa ter todo um suporte, comer uma boa ração, que contenha todas as vitaminas e nutrientes necessários. O animal precisa ter uma rotina, levada de forma séria, para que ele possa aprender com ela e se sentir bem.

"Nós fazemos um suporte de fisioterapia em cada um. Eles saem uma vez ao dia da cocheira. Eles trabalham de terça a domingo, segunda-feira é o dia de descanso, no qual fazem um passeio (sem montaria) para que possam mexer as pernas, o que é muito importante", explica. "Hoje fazemos um tratamento de imunidade, devido aos casos de herpes zoster que aconteceram na Europa e Estados Unidos, que preocupou órgãos competentes de saúde e matou vários cavalos".

No Brasil não se tem registros de regiões endêmicas, apenas casos isolados, segundo a criadora, mas houve um reforço na vacinação para os cavalos, por recomendações veterinárias.

Além disso, eles tomam vitamina C, comem ração de qualidade, feno e capim. Se hidratam nas coxeiras, com filtros instalados nos bebedouros. Há todo um trabalho fundamental para que os animais tenham a melhor saúde possivel.

"A equipe é muito importante. O tratador, assim como os veterinários, são anjos dos nossos cavalos porque o tratador sabe olhar para o animal e entender que ele está sentindo alguma coisa", detalha.

O tutor também possui uma forte ligação com o animal e Carolina explica que, para montar a cavalo ou mexer com esses animais, requer cuidados e, principalmente, um enorme respeito. Ela faz questão de lembrar que esses animais são sensíveis e todo o cuidado é pouco. Os animais possuem também uma espécie de "ano letivo", então, assim como trabalham, também tiram um período de férias.

"Eu os mimo muito, em questão de manejo, temos uma equipe veterinária fantástica, com pleno conhecimento de todo o universo equino e que está sempre jogando junto com a gente", conta. "É uma equipe, então eu que monto, é o meu cavalo, é o meu tratador, o professor e o veterinário. Se não estiverem todos alinhados para o mesmo objetivo, se torna mais difícil ter, não apenas performance com o cavalo, mas também saúde, que é o que a gente quer."

Há um grande respeito com a saúde desses animais, caso seja encontrada qualquer sensibilidade, não participam de qualquer concurso ou provas. O bem-estar e a saúde do animal estão sempre em primeiro lugar.

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