É possível alterar o comportamento de repulsa por meio da associação positiva, mesmo quando o cão já é adulto

Muitas pessoas já perceberam que, enquanto alguns cães adoram brincar com criança e fazem a maior festa com ela, outros são totalmente o oposto disso, sentem muito medo ou até se tornam agressivos  quando uma está por perto. 

Alguns cachorros não se sentem confortáveis com a presença de uma criança e acabam atacando
shutterstock
Alguns cachorros não se sentem confortáveis com a presença de uma criança e acabam atacando

Esse comportamento pode ser um pouco compreensível pela forma como uma criança age. Geralmente ela possui a voz mais aguda, costuma gritar, chorar, rir alto, correr e fazer movimentos estabanados de um jeito muito diferente de um adulto. Por isso, cães podem se assustar ou estranhar. Mas, o que explica as diferentes reações dos animais nessas situações?

Período de socialização primária

Talvez você já tenha ouvido falar do quanto é importante fazer uma boa socialização  do cão. Nesse caso, não estamos apenas falando de acostumá-los a conviver com crianças, mas sim de um período especifico do desenvolvimento canino entre 3 e 12 semanas que ele precisa ser familiarizado com outros animais, pessoas, barulhos e objetos. 

Essa convivência, quando feita de forma consistente, constante e supervisionada com boas experiências para o cão, pode fazer total diferença no comportamento dele para o resto de sua vida. Poderíamos pensar na socialização como uma vacina contra muitos problemas comportamentais.

A maior dificuldade é que, nessa idade o cão ainda não terminou de tomar as principais vacinas e se encontra ainda vulnerável a doenças infecciosas, que possuem alta incidência no Brasil. Dessa forma, o cão não pode caminhar no chão fora de casa, nem deve ter contato com cães desconhecidos, mas pode passear no colo, de carro ou ainda ter contato com cães vacinados, que não saem de casa.

via GIPHY


E depois de adulto? O que fazer?

Embora a prevenção seja sempre a melhor estratégia, é possível diminuir o medo e o estresse de cães já adultos, podendo até acostumá-lo com a presença das crianças. A saída para isso são as associações positivas.  

Cães que reagem latindo ou rosnando quando uma criança se aproxima, em via de regra, levam broncas. O cão pode associar a bronca com a aproximação da criança. Para que isso não aconteça, coisas boas devem acontecer quando ele avistar uma criança e ela se aproximar dele. Isso inclui carinho, festinhas, elogiar, mostrar um brinquedo ou oferecer um petisco canino. Ou seja, a ideia é criar uma boa expectativa para o cão sempre que houver o contato. 

Também é possível fazer treinos que envolvem a repetição de movimentos feitos pela criança, como correr, e ir recompensando o cão a cada repetição. Quanto mais repetições, mais o cão vai se habituando e gostando de ser recompensado.

Não tenha pressa

Não force a aproximação. Respeite o limite do cão. Mantenha em cada treino uma distância na qual o cão aceite petiscos. Será mais eficaz manter uma distância confortável para o animal do que forçar uma aproximação em que ele tenha uma reação contra a criança por medo, por exemplo.

Comece com a criança a uma certa distância, parada, depois em movimento e, posteriormente, faça pequenas aproximações.

Não corra riscos

Se o cachorro se torna muito agressivo com a presença de uma criança, não tente aproximá-lo demais, pode acabar acontecendo um ataque. É preciso manter uma distância segura.Também é possível acostumá-lo a fazer o uso de focinheira. O mais importante é que a interação seja agradável e segura para o cão e para a criança. 

Cães e crianças juntos apenas sob supervisão

Mesmo que o cão adore brincar com crianças, seja muito dócil e os pequenos bem-comportados, não se deve deixar os dois brincarem sem supervisão de um adulto. Tanto a criança pode machucar o cão, quanto o pet pode morder, arranhar ou derrubar ela.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.