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Popularmente conhecida por "doença do carrapato", a babesiose atinge qualquer cachorro e merece atenção dos donos

Temida por muitos donos, a babesiose é uma doença bem séria, atingindo qualquer tipo de cachorro, independente do tamanho, idade, cor ou raça. Apesar de ter tratamento, é importante garantir que seu animalzinho não contraia ela, pois em caso mais graves pode levar à morte. Então previna-se sabendo mais sobre esta enfermidade. 

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A babesiose , chamada antigamente pelos veterinários de piroplasmose e popularmente conhecida por "doenças do carrapato", é uma doença contraída pelo protozoário  Babesia canis , que entra no sangue e parasita os glóbulos vermelhos, destruindo-os e multiplicando-se.

O carrapato é o principal transmissor. Assim que se aloja entre os pelos do cachorro para se alimentar do sangue, ele libera os protozoários na corrente sanguínea de seu hospedeiro, fazendo com que eles se multipliquem e rompam os glóbulos vermelhos, causando a babesiose. Então, o carrapato é usado apenas como ponte pelo  Babesia canis.  No Brasil, o carrapato transmissor é o  Rhipicephalus sanguineus

Através da picada do carrapato é que o protozoário entra na corrente sanguínea do cão
reprodução shutterstock
Através da picada do carrapato é que o protozoário entra na corrente sanguínea do cão

Como acontece a destruição dos glóbulos vermelhos, causa uma anemia séria no animal, ou seja, a redução do fluxo de oxigênio para os órgãos. Se não for diagnosticada a tempo e corretamente tratada, a babesiose pode ser mortal para o bichinho. 

Sintomas

Os sintomas são facilmente notados. Como a babesiose leva à anemia, é possível notar uma mudança na aparência e costumes do animal. Dentre os sinais, estão perda de apetite, palidez, icterícia - pele e olhos amarelados -, urina escura, mucosas de cor amarelada antes de se tornarem "branco de porcelana ", cansaço severo e até depressão, decorrente da falta de energia do bichinho. Além disso, às vezes aparecem perturbações da coagulação, insuficiência renal aguda e perturbações nervosas.

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Quadro clínico da doença

O quadro clínico de animais infectados pela babesiose pode ser dividido em três fases segundo a gravidade dos sintomas. São elas: as formas hiperaguda, aguda, crônica e subclínica.

  • Forma hiperaguda: esta fase atinge principalmente os recém-nascidos e filhotes, pois ainda não tem o sistema de defesa totalmente formado e estão desprotegidos. Animais com uma grave infestação de carrapato também estão sujeitos. Este estado apresenta choque com hipotermia, hipoxia tissular - quando os tecidos não recebem oxigênio suficiente - e outras lesões em vasos e tecidos. Poucos cães se recuperam desta fase. 
  • Forma aguda: este é o estado mais comum e caracteriza-se por uma anemia hemolítica - destruição dos glóbulos vermelhos. Os sintomas são anemia, mucosas pálidas, ictéricas - cor amarela nas mucosas - e febre. No exame sanguíneo é observado uma anemia acentuada.
  • Forma crônica: este estado normalmente ocorre em um animal que esta parasitado há um certo tempo. Não é muito habitual, mas pode acontecer. Na babesiose crônica, os sintomas aparecem de forma nítida e intensa, como quadro de depressão, fraqueza, perda de peso, febre intermitente e outros sinais bem típicos da moléstia. 
  • Forma subclínica: este é a fase mais difícil de ser detectadas, pois os sinais não são muito aparentes e, às vezes, nem observado pelos donos. Por ser tão silenciosa é preciso ter ainda mais atenção. 
Assim que notar os sintomas, leve seu cão ao veterinário para realizar os exames
reprodução shutterstock
Assim que notar os sintomas, leve seu cão ao veterinário para realizar os exames


Diagnóstico

Assim que perceber sinais desta doença, leve seu animal direto para o veterinário para fazer os exames e conseguir um diagnóstico. Como a anemia é algo característico da babesiose, o número de plaquetas ficará baixo caso o animal tenha a doença. Então, um exame de urina já costuma ser um bom detector, pois as alterações aparecem.

No entanto, a melhor forma de diagnosticar a enfermidade é visualizando a presença do parasita no sangue. Assim que o veterinário notar algo no microscópio, o dono terá certeza se o cão está com babesiose. Se o protozoário não for visto, é possível que outra doença esteja causando os sintomas e é importante continuar os exames. 

Tratamento

O tratamento da babesiose é composto por duas fases: primeiro, combate do carrapato e depois corrigir as desordens e complicações causadas pelo protozoário. Os medicamentos devem ser receitados apenas pelo veterinário. Jamais medique seu cão sem indicação de um profissional. 

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Atualmente, os veterinários têm à sua disposição piroplasmicidas capazes de destruir o parasita. Durante a aplicação do remédio, podem surgir efeitos secundários, como tremores, diarreia e vômitos, mas não apresentam qualquer perigo. Outra forma de combater a babesiose é através de antibióticos, mas não são tão eficazes. 

Além dos uso de medicamentos, dependendo da gravidade da doença, pode ser que o cão precise de outros tipos de tratamento para cuidar das consequência da babesiose. Por exemplo, se ele estiver numa fase severa de anemia, precisará de uma transfusão de sangue. 

A melhor forma de combater a babesiose é evitar que o cão pegue carrapato
reprodução shutterstock
A melhor forma de combater a babesiose é evitar que o cão pegue carrapato


Prevenção

Mesmo que seja uma doença com tratamento eficaz, a melhor forma de evitar a babesiose é se previnindo dela. Os donos precisam voltar sua atenção ao transmissor: o carrapato. Eles são uma praga para os cães e, devido suas características são parasitas naturais. Lembre-se, ele não desenvolve o protozoário dentro de si, na verdade é infectado quando bebe sangue de um cão doente ou portador crônico. Assim, depois de contaminado, leva a moléstia para outros animais saudáveis. 

Então, fique sempre de olho nos carrapatos. Dê banhos antipasitários no cão, limpe bem o ambiente que ele vive com inseticidas e, se achar necessário, coloque coleiras para espantar o parasitas. Pode ser bem difícil, ou até impossível eliminar totalmente eles, mas deve-se fazer o máximo para evitá-los.  

Na Europa existe uma vacina para a babesiose, porém, infelizmente, ela não é muito eficaz. Desta forma, combater os carrapatos é a melhor forma de evitar a doença e qualquer outra complicação. Uma vez que o transmissor é exterminado do ambiente, cão e dono podem viver com mais saúde e tranquilidade. E por fim, não esqueça que outra forma de contrair a babesiose é através de transfusões sanguíneas. Se o seu cão precisar de uma, fique bem atento a isto. 

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