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Levar um gato para a casa em que outro já vive pode ser motivo de brigas entre os pets; para evitar problemas vale a pena investir em mais brinquedos e até hormônios sintéticos

Há quem diga que quanto mais gatos em casa , melhor: o bichano tem a companhia do outro felino e tende a se sentir menos solitário. Porém, isso pode ser um grande erro do tutor principalmente se ele não souber identificar os sinais de tensão entre os pets. Por isso, para evitar brigas e adaptar o gato “dono da casa” a outro gatinho, o veterinário Vitor Castro, especialista em felinos e sócio da AmahVet, dá dicas.

Independente do sexo gatos podem brigar muito arrow-options
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Independente do sexo, gatos podem brigar muito


Antes de adotar um novo felino , o ideal é que o dono leve o gato residente da casa para fazer exames e confirmar a boa condição de saúde do animal. “Testar para FIV e Felv, que são doenças virais que afetam os gatos, é imprescindível. Se um dos dois for positivo para Felv, existe vacina que imuniza e protege o animal que não for portador da doença”, explica.

Nesse caso o tutor deve vacinar o pet sadio e esperar pelo menos 21 dias após o término do das vacinas para introduzir o novo felino no ambiente com o gatinho portador da doença. “Outra opção, se você já tem um gato com Felv, é adotar outro que também tenha a doença”, sugere o veterinário.

Com os exames todos em dia, chegou a hora de escolher o gato que fará companhia para o outro felino.  Segundo Vitor, gatos criam laços afetivos de forma muito complexa, mas conseguem viver em sociedade se houver fartura – bastante comida, água,  caixas de areia e brinquedos. Por isso é difícil saber se um pet mais velho ou filhote será mais bem recebido pelo companheiro, mas os dois têm seus prós e contras.

“Em geral os filhotes são mais brincalhões e sociáveis, facilitando a adaptação ao novo lar. Em contrapartida, a vantagem de adotar um gato adulto é que é possível conhecer a personalidade e o temperamento dele, que já estão completamente formadas no gatinho adulto”, explica o veterinário. De qualquer forma é importante aproximar os pets gradualmente, nunca os deixando sozinhos no mesmo ambiente logo no início.

No caso de possíveis brigas entre os gatos, Vitor dá algumas opções para resolver o problema. “Criar interações positivas entre os pets, por exemplo, agradando com algum petisco ambos os gatos sempre que eles estiverem no mesmo ambiente, ou com brinquedos diversos nas áreas comuns.” Além disso, a erva de gato, conhecida por acalmar os pets, e o Feliway – hormônio sintético que imita o “cheiro” felino facial ou materno, causando sensação de conforto e bem-estar nos bichanos - podem ser utilizados. 

Se um dos gatos for macho, a castração pode diminuir brigas e disputas por território. “Castrar o felino consequentemente diminui a agressividade e marcação com urina, provocadas pelos hormônios sexuais”, explica Vitor.

Introduzir o felino novo gradualmente pode ser um jeito de evitar brigas arrow-options
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Introduzir o felino novo gradualmente pode ser um jeito de evitar brigas


Para aliviar o estresse dos gatinhos , aposte em brinquedos com interação do tutor, como penas penduradas em bastões. “Eles também gostam de arranhadores, sendo importante ofertar diversas texturas (sisal, carpete, papelão, etc), além das caixas de papelão, uma opção simples e barata”, conta. E vale lembrar que não necessariamente os gatos da mesma casa vão gostar dos mesmos brinquedos, por isso é importante investir na pluralidade de objetos para que cada gato descubra qual é mais atrativo. 

Como identificar um gato tenso

Apesar de serem animais delicados e sutis, os gatos podem dar alguns sinais bem específicos de que não estão se sentindo bem. “Animais que começam a passar muito tempo escondidos, eliminação em local inapropriado ( gatos que começam a urinar ou defecar fora da liteira/caixinha de areia), marcação territorial com urina, são alguns dos sinais”, afirma. Porém, também é necessário descartar qualquer doença que também possa alterar o humor do pet.