
Na hora de viajar com pets no avião, existem várias regras que ainda deixam muitos tutores em dúvida. No Brasil, cada companhia tem suas exigências nos transporte de pets como cães e gatos. Entre os temas que mais geram dúvidas estre os tutores está o uso de sedativos antes do embarque. É possível sedar o animal de estimação para transportá-lo no avião?
Embora a sedação ainda seja uma prática considerada em situações específicas, especialistas e entidades internacionais de medicina veterinária e transporte aéreo recomendam cautela e destacam que o procedimento deve ser avaliado caso a caso e sempre com orientação profissional. Agindo dessa forma, o viajante não colocaria a vida do animal em risco.
Segundo as diretrizes da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), por exemplo, na hora de viajar de avião com pet, a prioridade deve ser a adaptação comportamental do animal e o uso adequado das caixas de transporte, em vez da sedação como medida padrão.
Para esclarecer dúvidas ainda presentes no público, o iG conversou com a médica veterinária e CEO da empresa de transporte de animais PETFriendly Turismo, Juliana Stephan i e separou os principais mentiras e verdades sobre sedação de pets em viagens aéreas para que os tutores entendam o que é melhor fazer.
Verdades
Riscos à saúde do animal
A sedação pode aumentar riscos respiratórios e cardíacos no cão ou gato. Segundo a médica veterinária Juliana Stephanie, medicamentos sedativos podem causar depressão do sistema respiratório e cardiovascular do anima. Em ambientes como a cabine ou o porão da aeronave, onde há variações de pressão, barulho e pouca iluminação o animal ainda terá que lidar com um estresse adicional.
O animal já faz uso de sedativos
Segundo a especialista, quando os pets que necessitam de medicação com efeito sedativo, eles não são considerados aptos para viagens aéreas. Dessa forma, a veterinária enfatiza que a sedação não é recomendada para o transporte aéreo de animais. Segundo Juliana Stephanie, caso o pet necessite usar de medicamentos que provoquem sonolência ou sedação para conseguir viajar, a condição deve ser reavaliada junto ao médico-veterinário que já o acompanha. Quando o caso não está dentro desta exceção, os efeitos do sedativo podem comprometer a segurança e o bem-estar do animal durante o voo.
Adaptação é o melhor para ter uma viagem tranquila
A especialista recomenda que o animal seja adaptado a caixa de transporte que será utilizada durante a viagem:
A preparação prévia é a principal maneira de transportar o animal de estimação de forma calma. O tutor pode fazer a aclimatação do pet à caixa de transporte, passeios antes do embarque e manejo adequado da alimentação e hidratação. Estas medidas são consideradas as mais seguras e eficazes para reduzir o desconforto durante o voo Juliana Stephanie, CEO da PETFriendly Turismo
Mentiras
Sedação deixará o animal mais calmo
Segundo a veterinária da PETFriendly Turismo, sedar o pet não é a melhor forma de deixá-lo calmo durante o voo:
A sedação não é considerada uma estratégia segura para acalmar o animal. Isso porque o cão ou gato pode perder reflexos naturais de proteção, como o equilíbrio e a capacidade de se reposicionar, aumentando o risco de acidentes dentro da caixa de transporte Juliana Stephanie, CEO da PETFriendly Turismo
O pet viaja melhor sedado
Segundo a veterinária, Juliana Stephanie, não procede a informação de que os pets devem ser sedados para viajar melhor. Segundo a médica, a maioria das entidades internacionais de medicina veterinária não recomendam o uso preventivo de sedativos. Ao invés disto, ela aconselha o tutor a fazer a adaptação gradual do animal à caixa de transporte semanas antes do voo.
Sedativo reduz o estresse da viagem
Pesquisas indicam que o transporte aéreo é naturalmente estressante. Além de trazer riscos para o animal, o sedativo pode mascarar sinais importantes de sofrimento:
Ainda existem muitas dúvidas em torno da sedação, mas é importante reforçar que essa não deve ser uma decisão automática. Cada caso precisa ser avaliado individualmente por um médico-veterinário, levando em conta o perfil e as condições de saúde do pet. Na maioria das situações, a preparação antecipada, com adaptação à caixa de transporte e manejo adequado antes do voo, já é suficiente para reduzir o estresse e tornar a experiência mais tranquila para o animal e para o tutor’ Juliana Stephani, CEO da PETFriendly Turismo.
A caixa de transporte
Após cumprir as exigências sobre documentação, vacinas e atestados do animal, o tutor deverá transportar o animal em uma caixa própria. Para transporte no setor de bagagem despachada, o animal deverá ser transportado em uma caixa rígida, geralmente é feita de um material mais resistente que o plástico.

A caixa deverá comportar o animal de forma que ele consiga ficar em pé, com a cabeça erguida sem que o animal encoste na parte superior. Além disso, o animal deverá conseguir girar em torno de si mesmo e deixar em posição confortável dentro da caixa. Segundo a regra de cálculo de espaço, o comprimento da caixa deverá ser igual ao comprimento do animal mais metade da altura da pata.
A caixa de transporte deverá ser ventilada, pelo menos, em 3 ou 4 lados. As aberturas deverão ter um tamanho seguro para que o focinho ou as patas do animal não ultrapasse a grade. Além disso, um bebedouro ou comedouro abastecidos deverão estar fixados na parte de dentro da caixa de transporte. O animal também deverá estar sem coleira ou guias.