
O mau hálito de cães e gatos nem sempre é apenas um cheiro desagradável. Quando o odor permanece por muito tempo, pode indicar que existe algum problema na boca do animal, principalmente quando vem acompanhado de alterações nas gengivas, dificuldade para mastigar ou acúmulo de tártaro.
Entre as causas mais comuns estão a placa bacteriana, a gengivite e a doença periodontal. Sem os cuidados adequados, esses problemas podem avançar, provocar dor, comprometer os tecidos que sustentam os dentes e, em casos mais graves, levar à perda dentária.
Segundo a veterinária Juliana Matias de Oliveira, assistente de clínicas da Plamev, a saúde da boca está diretamente relacionada ao bem-estar dos pets.
“A saúde bucal é fundamental para o bem-estar e a qualidade de vida dos pets. O acúmulo de placa bacteriana e tártaro favorece o desenvolvimento da gengivite e da doença periodontal, podendo causar mau hálito, dor, sangramento, perda óssea e até perda dos dentes”, explica.
A presença de bactérias e o processo inflamatório também fazem com que as consequências não estejam necessariamente restritas à cavidade oral.
“A cavidade oral possui uma grande quantidade e diversidade de microrganismos e, quando a doença periodontal se instala, a inflamação pode ter repercussões além da própria boca”, afirma.
Quando o mau hálito merece atenção
O odor forte e persistente é um dos sinais mais fáceis de perceber, mas não é o único. Gengivas avermelhadas, inchadas ou com sangramento, excesso de saliva, tártaro visível e dificuldade ou dor para mastigar também podem indicar que há algo errado.
Em estágios mais avançados, o animal pode perder o apetite, emagrecer e apresentar dentes moles ou até perder dentes. Como cães e gatos nem sempre demonstram claramente quando estão sentindo dor, mudanças na alimentação e no comportamento também devem ser observadas.
“Em casos mais avançados, podem ocorrer perda de apetite, perda de peso, mobilidade e perda dos dentes. A identificação desses sinais deve motivar uma avaliação veterinária”, orienta Juliana.
Escovação ajuda a evitar problemas
A higiene bucal deve fazer parte da rotina dos animais. A escovação diária é considerada a principal forma de controlar a placa bacteriana e reduzir o risco de desenvolvimento da doença periodontal.
“A melhor forma de prevenir o acúmulo de placa, o mau hálito e a doença periodontal é a escovação dental diária. Ela previne a formação de placa, mas não remove o tártaro já formado”, esclarece a veterinária.
Alguns produtos específicos, como petiscos, brinquedos, aditivos para água, dietas e mastigáveis voltados à higiene oral, podem complementar os cuidados. Eles, porém, não substituem a escovação. A recomendação é priorizar itens que tenham eficácia comprovada, como aqueles que possuem o selo do Veterinary Oral Health Council (VOHC).
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Também é necessário ter cuidado com ossos e objetos muito duros, que podem provocar fraturas nos dentes.
Mesmo com a higiene feita em casa, o acompanhamento veterinário continua sendo importante.
“A saúde bucal deve ser avaliada regularmente pelo médico-veterinário, preferencialmente a cada seis meses, ou ao menos anualmente em animais saudáveis”, recomenda Juliana.
Assim, um hálito diferente do habitual pode ser um dos primeiros sinais percebidos pelo tutor de que a saúde bucal do animal precisa de atenção. Observar a boca, manter a higiene e realizar avaliações periódicas são medidas que ajudam a evitar problemas mais graves e preservar a qualidade de vida do pet.