
A expectativa para o confronto entre Brasil e Noruega, neste domingo (5), pelas oitavas de final da Copa do Mundo, tomou conta dos torcedores, e muitos tutores se preparam para vestir seus cães de verde e amarelo e incluí-los na torcida.
Mas será que vestir o pet é realmente seguro? Especialistas explicam quais cuidados são essenciais para garantir que a torcida não comprometa o bem-estar dos animais.
Embora muitos cães aceitem bem uma camiseta ou uma bandana, nem todos se sentem à vontade com acessórios no corpo. O mais importante, segundo os profissionais, é respeitar os limites individuais de cada animal e não insistir caso ele demonstre incômodo.
O especialista em comportamento canino Richardson Zago, fundador da Zago Adestramento e fundador honorário do Patinhas Urbanas, explica, em entrevista ao IG, que não existe uma regra que sirva para todos os cães.
A recomendação é lembrar que a comemoração é nossa, não do cachorro. Se ele aceita bem uma bandana ou uma camiseta leve e continua confortável, não há problema em participar desse momento. Mas, se qualquer sinal de desconforto aparecer, a prioridade deve ser o bem-estar do animal.
Antes de vestir qualquer peça, o tutor deve considerar o histórico daquele animal e observar como ele costuma reagir ao contato físico e ao uso de roupas.

Além da adaptação, o tamanho da peça faz toda a diferença. A roupa não deve apertar o pescoço, o tórax, as axilas ou as patas, nem limitar os movimentos naturais do cão ou dificultar sua comunicação corporal.
Ficar parado nem sempre significa tranquilidade
Um dos equívocos mais comuns entre os tutores é acreditar que um cachorro imóvel está confortável com a roupa. Segundo Richardson, isso nem sempre corresponde à realidade.
Um erro muito comum é interpretar um cachorro imóvel como um cachorro tranquilo. Na verdade, ele pode estar em um estado de inibição comportamental, sem saber como reagir. Richardson Zago
Entre os principais sinais de desconforto estão:
- caminhar de forma rígida;
- tentar retirar a roupa com a boca;
- lamber o focinho repetidamente;
- bocejar várias vezes;
- abaixar as orelhas;
- colocar o rabo entre as pernas;
- evitar contato com as pessoas;
- buscar esconderijos.
Quanto mais cedo esses comportamentos forem identificados, menores são as chances de a experiência se tornar negativa. Se o cachorro tentar tirar a camisa, parar de andar ou demonstrar resistência, a recomendação é não insistir.

Segundo Richardson Zago, forçar a situação pode aumentar o estresse e fazer com que o animal passe a associar a roupa, ou até mesmo a aproximação do tutor, a uma experiência desagradável.
Adaptação deve acontecer aos poucos
Para quem deseja acostumar o pet ao uso de uma camiseta, o processo precisa acontecer de maneira gradual e sempre com reforço positivo.
Primeiro, o cão deve apenas conhecer a peça, cheirá-la e receber recompensas durante essa interação. Em seguida, a roupa pode ser colocada por poucos segundos, inicialmente apenas na região do pescoço, sempre acompanhada de petiscos, brincadeiras ou outras experiências agradáveis. Aos poucos, o tempo de uso pode ser ampliado, respeitando a resposta do animal.
Nem toda roupa é indicada
Além do aspecto comportamental, a escolha da peça também influencia diretamente na segurança do pet.
Em entrevista ao iG, a veterinária Dra. Emiliana Gallo, da clínica O Bicho Comeu e parceira do Patinhas Urbanas, explica que roupas muito elaboradas merecem atenção especial, principalmente aquelas com enfeites que podem ser arrancados.
Quando falamos em vestir o pet, seja com camisa da seleção ou qualquer outra roupinha, o principal ponto é a segurança. Peças com muitos enfeites, botões, brilhos ou zíperes podem representar risco, principalmente para cães mais agitados, que podem arrancar esses itens e engolir. Dra. Emiliana Gallo

Segundo Emiliana, fantasias mais elaboradas podem até ser utilizadas em ocasiões específicas, como fotos ou festas, desde que o animal permaneça sob supervisão durante todo o tempo.
Já do ponto de vista comportamental, Richardson Zago destaca que acessórios discretos costumam ser mais bem aceitos.
Quanto menor a interferência sobre o corpo e sobre os movimentos naturais do cão, menor tende a ser o impacto comportamental. Richardson Zago
De acordo com ele, bandanas leves costumam causar menos incômodo, enquanto fantasias com mangas, capuzes, asas, perucas, objetos presos às patas ou acessórios que fazem barulho aumentam significativamente as chances de estresse.
O especialista também alerta que peças que cubram o focinho ou as patas podem prejudicar a regulação da temperatura corporal.
Atenção ao calor e ao tempo de uso
Outro ponto importante envolve o tecido escolhido. A recomendação da veterinária é optar por materiais leves e respiráveis, como algodão 100%, evitando peças pesadas que possam favorecer o superaquecimento.
Os cães não transpiram como os humanos. A troca de calor acontece principalmente pela respiração e pelas patas. Por isso, se o animal estiver muito ofegante, agitado, irritado ou tentando tirar a roupa, o tutor deve remover a peça. Dra. Emiliana Gallo
A atenção deve ser ainda maior com filhotes, idosos, cães obesos e animais com doenças respiratórias ou dermatológicas, que apresentam maior dificuldade para controlar a temperatura corporal.
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A roupa também não deve permanecer no cachorro durante muitas horas seguidas.
O ideal é usar a roupinha por um período curto. Colocou para entrar no clima da Copa, tirou foto, assistiu ao jogo, depois é melhor remover. Dra. Emiliana Gallo
Nos cães de pelo longo, o atrito do tecido pode favorecer a formação de nós, aumentando o risco de irritações e infecções na pele.
Por isso, a orientação da veterinária é pentear o animal após retirar a roupa e aproveitar esse momento para verificar se há qualquer alteração na pele ou nos pelos.
Higienização também faz parte dos cuidados
Antes de vestir a camisa da seleção, a higienização da peça também merece atenção.
A recomendação é lavar a roupinha com sabão neutro, sem perfume e sem amaciante. O mesmo cuidado vale para caminhas, cobertores e tecidos usados na rotina do pet. O cheiro forte pode causar desconforto e, em alguns casos, irritações ou alergias. Dra. Emiliana Gallo
Segundo Emiliana Gallo, o olfato dos cães é extremamente sensível, e fragrâncias intensas podem causar desconforto ou até desencadear alergias.
Os especialistas reforçam que o cachorro pode participar da torcida, desde que o bem-estar venha sempre em primeiro lugar. Se o pet permanece tranquilo, brinca normalmente e não demonstra sinais de desconforto, usar uma camiseta leve por um curto período costuma ser seguro.
Por outro lado, se o animal apresentar qualquer sinal de incômodo, a orientação é retirar a roupa imediatamente. O mais importante é que ele participe da comemoração com conforto e segurança.