
Um cachorro foi encontrado com vida sob os escombros de uma residência que desabou no bairro Jóquei Clube I, em Juiz de Fora (MG), na manhã desta quinta-feira (26). O imóvel cedeu depois das fortes chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias.
O resgate foi realizado pelo Corpo de Bombeiros, que localizou o animal após ouvir latidos vindos debaixo dos destroços.
Um vídeo gravado durante a operação mostra o momento em que os militares retiram parte do entulho até alcançar o cão, que ainda estava com as patas traseiras presas.
Durante a ação, um dos bombeiros tenta acalmar o animal enquanto trabalha para soltá-lo. “Vem, amigão. Vem, 'tá' com a gente”, disse.
Trágedia em Juiz de Fora
A maior cidade da Zona da Mata mineira acordou nesta terça-feira (24) com mais de 10 mortes. Porém, nos dias seguintes, o número aumentou progressivamente, até chegar às 59 mortes nesta quinta-feira (26).
Segundo a Prefeitura, o volume registrado entre segunda e terça-feira foi de 190,8 mm no pluviômetro do bairro Nossa Senhora de Lourdes. Já entre quarta e quinta-feira, a precipitação chegou a 113 mm no pluviômetro da Cidade Universitária.
Com isso, o volume total de chuvas apenas no mês de fevereiro chegou a 733 mm, o que representa 4,3 vezes a média esperada para o período.
Nesta quinta, de acordo com a Prefeitura, chegam na cidade dez caminhões do Exército Brasileiro, juntamente com militares, para contribuirem na resolução de problemas causados pelas chuvas.

Devido aos estragos, a administração municipal suspendeu aulas e parcialmente o transporte público, além de recomendar que seus habitantes não saíssem de casa se não fosse necessário.
A cidade tem um "desprevilégio" geográfico por ser rodeada de cadeia de montanhas, com altitude mínima de 467 km e máxima de 1.104, sendo uma espécie de "vale" onde há moradores no centro. As nuvens se acumulam e, com alta densidade, o que torna o município sucetivo para grandes desastres.
Juiz de Fora é uma das 10 cidades com mais pessoas em áreas de situação de risco para desastres naturais, de acordo com relatório de 2025 do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O município tem 128.946 das 540.756 pessoas em situação de vunerabilidade para desastres naturais. O valor representa 23,85%.
O fenômeno fez com que um dos pontos mais conhecidos da cidade sofresse com deslizamento, o que acarretou em desabamentos de casas próximas ao Morro do Cristo.