
A cor das almofadinhas das patas pode mudar de um pet para outro e nem sempre uma alteração de tonalidade significa que há algo errado. O que parece apenas uma diferença de aparência pode, em alguns casos, vir acompanhado de sinais que merecem atenção do tutor.
Rachaduras, vermelhidão, inchaço, crostas e lambedura insistente estão entre os sintomas que podem indicar desde uma irritação até uma lesão mais séria.
Como as patas ficam em contato direto com o chão, também estão expostas a calor, superfícies ásperas, produtos químicos e objetos que podem provocar ferimentos.
Mas como saber o que faz parte do aspecto normal de cada animal e quando é hora de procurar ajuda? Para Gustavo Jorge Gonçalves, veterinário da WeVets, o primeiro passo é conhecer como as patas do próprio pet.
"Não existe uma única cor ou textura que represente uma pata saudável. O tutor deve conhecer o padrão do próprio animal e ficar atento a alterações recentes, principalmente quando aparecem dor, inchaço, feridas, secreção ou dificuldade para caminhar", explica.
As almofadinhas exercem funções importantes no dia a dia. Elas ajudam a absorver impactos, colaboram para o equilíbrio, protegem as articulações e funcionam como uma barreira entre as patas e o chão. Ainda assim, não estão livres de lesões.
Quando rachaduras podem ser um problema?
Uma superfície levemente áspera pode fazer parte da característica natural das patas, principalmente em cães que caminham com frequência. A preocupação aumenta quando aparecem fissuras profundas, sangramento ou sensibilidade.
Entre as possíveis causas estão o atrito constante, temperaturas muito altas ou baixas, queimaduras, irritações e alterações na produção de queratina.
Outro problema possível é a hiperqueratose, caracterizada pelo excesso de queratina e pelo espessamento das almofadinhas. Em situações mais intensas, a região pode rachar, provocar dor, facilitar infecções e dificultar a caminhada.
Vermelhidão e inchaço também são sinais de alerta
Uma pata avermelhada ou inchada pode ter diferentes origens. A reação pode estar relacionada a alergias, contato com substâncias irritantes, queimaduras, infecções ou corpos estranhos, como espinhos, fragmentos de vidro e pequenas pedras.
A inflamação também pode aparecer entre os dedos. Nessa região, o animal pode apresentar coceira, dor e perda de pelos.
E as crostas?
Crostas podem surgir depois de traumas, queimaduras, processos inflamatórios ou doenças dermatológicas. Apesar da tentação de removê-las, o ideal é não arrancar a formação.
Quando o problema não melhora, aumenta ou aparece em mais de uma pata, uma avaliação veterinária pode ajudar a identificar a causa.
"Aplicar cremes por conta própria pode piorar a irritação ou oferecer risco caso o animal lamba o produto. Até hidratantes aparentemente inofensivos precisam ser indicados por um veterinário", orienta.
Cortes, bolhas e sangramentos
Ferimentos causados por cortes, perfurações ou queimaduras podem provocar bastante dor e fazer com que o animal evite apoiar a pata. Em alguns casos, parte da almofadinha pode até se desprender.
Se houver sangramento, o tutor pode fazer uma compressão cuidadosa usando gaze ou um pano limpo enquanto leva o animal para atendimento. Já objetos que estejam profundamente presos não devem ser retirados em casa, pois a tentativa pode aumentar a lesão ou o sangramento.
Toda mudança de cor significa doença?
Não. A pigmentação das almofadinhas varia naturalmente. Elas podem ser rosadas, pretas, marrons ou apresentar uma combinação de cores.
A textura também pode mudar conforme os hábitos do animal. Cães que caminham bastante, por exemplo, podem ter a região mais espessa.
O sinal que merece atenção é uma mudança recente em relação ao padrão habitual, especialmente quando vem acompanhada de dor, feridas, crostas ou inchaço. A alteração de cor, sozinha, não permite determinar a causa.
O comportamento pode entregar que algo não vai bem
Nem sempre uma lesão é facilmente percebida durante uma inspeção visual. Por isso, mudanças no comportamento também podem servir como alerta.
Lamber ou morder as patas repetidamente, mancar, evitar apoiar uma das pernas, demonstrar incômodo quando a região é tocada ou diminuir o interesse pelos passeios podem indicar dor, coceira ou a presença de algum corpo estranho.
Odor forte, secreção, sangramento, perda de pelos entre os dedos e aumento de volume também justificam uma consulta veterinária. A lambedura constante, por exemplo, não deve ser automaticamente encarada como um simples hábito, já que pode estar relacionada a alergias, ferimentos e outros problemas dermatológicos.
Cuidado com o chão quente
Durante os dias de calor, o piso também pode se transformar em um risco para os animais. As almofadinhas são mais resistentes do que a pele humana, mas podem sofrer queimaduras em contato com asfalto ou concreto muito aquecidos.
Uma forma de reduzir o risco é escolher horários mais frescos para os passeios, como o começo da manhã e o fim da tarde. Locais com sombra também devem ser priorizados.
Depois da caminhada, sinais como relutância para andar, lambedura das patas, vermelhidão, bolhas ou desprendimento da camada superficial podem indicar uma queimadura. A Universidade Cornell alerta que, apesar de resistentes, as almofadinhas também podem ser lesionadas pelo pavimento quente.
Como examinar as patas do pet
A avaliação pode ser feita rapidamente em casa, principalmente depois dos passeios ou durante os momentos de higiene. O tutor deve observar:
- todas as almofadinhas;
- os espaços entre os dedos;
- cortes, espinhos ou outros resíduos;
- vermelhidão, inchaço, secreção ou odor;
- unhas quebradas ou excessivamente compridas;
- sinais de dor ou resistência ao toque;
- lambedura persistente;
- mudanças recentes de cor, espessura ou textura.
Após o passeio, as patas podem ser higienizadas com água e secas cuidadosamente, inclusive entre os dedos. Já pomadas, hidratantes, antissépticos e medicamentos devem ser utilizados somente com orientação de um profissional.
"Observar as patas leva poucos minutos e pode revelar uma lesão antes que ela se agrave. Quando o animal manca, sente dor, apresenta sangramento, secreção ou não consegue apoiar a pata, o atendimento não deve ser adiado", conclui o veterinário.