
Com o período de férias, aumenta o número de famílias que pegam a estrada ou fazem longos deslocamentos levando os pets .
Apesar de a companhia dos animais tornar a viagem mais agradável, o trajeto pode se transformar em um desafio quando cães e gatos apresentam enjoo, náusea ou sinais de ansiedade dentro do carro.
O problema é mais comum do que parece e costuma se intensificar em viagens longas ou pouco frequentes, mas pode ser prevenido com planejamento, adaptação e cuidados simples antes e durante o deslocamento.
Segundo a veterinária Michelle Roismann, o enjoo em pets é mais comum do que se imagina e, na maioria dos casos, pode ser prevenido ou controlado.
De acordo com a especialista, filhotes e animais jovens costumam sofrer mais porque o sistema de equilíbrio ainda está em desenvolvimento. Pets que viajam pouco, que já tiveram experiências negativas no carro ou que enfrentam problemas de ouvido, como otites, também estão no grupo de risco. Nos gatos, o desconforto muitas vezes vem acompanhado de estresse intenso.
O movimento do veículo é o principal gatilho. Curvas, freadas, acelerações e estradas sinuosas interferem diretamente no sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio.
“Somam-se a isso calor, pouca ventilação, cheiros fortes, excesso de estímulo visual e, muito importante, a ansiedade: o pet pode antecipar que vai passar mal ou associar o carro a algo ruim”, destaca Michelle, em entrevista ao Canal do Pet .
Nem sempre é simples diferenciar enjoo físico de ansiedade, mas os sinais ajudam. No caso da cinetose, os sintomas costumam surgir após o carro começar a andar: salivação excessiva, lambedura de lábios, engolir seco, náusea e vômito.

Já a ansiedade pode aparecer antes mesmo da saída. “Ofegância, tremores, vocalização, inquietação, tentativa de escapar, urinar ou defecar por medo são sinais comuns”, explica.
Muitas vezes, os dois quadros se misturam, criando um ciclo difícil para o animal. A alimentação antes da viagem também merece atenção. Refeições pesadas aumentam o risco de náusea.
“Em geral, o ideal é evitar ‘pratão’ antes de viajar e optar por uma alimentação mais leve, com antecedência”, orienta a veterinária.
Petiscos gordurosos durante o trajeto também devem ser evitados, assim como o consumo exagerado de água imediatamente antes da saída.
Durante o percurso, alguns sinais indicam que algo não vai bem: salivação excessiva, bocejos repetidos, rigidez corporal, olhar de desconforto, inquietação, vômito e, em alguns casos, diarreia causada pelo estresse. Diante disso, a prevenção é a melhor aliada.
Estratégias comportamentais simples podem fazer grande diferença. “Uma das melhores estratégias é a adaptação gradual: primeiro o pet entra no carro e sai sem o carro andar, depois liga o carro sem sair, depois faz voltas curtinhas, sempre associando a algo positivo”, recomenda Michelle. Manter o ambiente calmo, fresco, bem ventilado e sem cheiros fortes também ajuda a reduzir o desconforto.
O transporte correto é outro ponto-chave. Além de obrigatório para a segurança, ele contribui para o bem-estar do animal.
“Manter o pet mais estável reduz o balanço do corpo e pode diminuir a náusea”, afirma.
Em gatos, a caixa de transporte é a opção mais indicada. Já para cães, o cinto de segurança acoplado a um peitoral próprio ajuda a limitar movimentos bruscos e traz mais sensação de controle.
Em casos mais intensos, o uso de medicamentos pode ser necessário, sempre com orientação profissional.
“Eles costumam ser indicados quando o pet tem histórico de vômitos frequentes, quando o mal-estar é intenso ou quando a viagem é longa e inevitável” , explica a veterinária.
Ela reforça que nunca se deve medicar por conta própria ou usar remédios humanos. Informar ao veterinário sobre doenças pré-existentes e testar a medicação com antecedência são cuidados essenciais.
Em viagens longas, as paradas são importantes, especialmente para cães. “Em geral, recomenda-se parar a cada 2 a 3 horas para oferecer água, permitir que o cão urine, defeque e caminhe alguns minutos”, orienta Michelle.
No caso dos gatos, as paradas devem ser mais cautelosas, priorizando conforto e hidratação sem retirá-los da caixa em ambientes abertos.
Por fim, a especialista alerta sobre o que nunca fazer. “Nunca deve medicar por conta própria, nem oferecer remédios humanos. Também não deve deixar o pet solto no carro, forçar comida durante a náusea, brigar ou punir o animal por estar passando mal”, reforça.
Deixar a cabeça para fora da janela e usar cheiros fortes ou óleos essenciais também não é recomendado.
Para quem vai viajar com pets pela primeira vez, o planejamento é fundamental para garantir um trajeto mais tranquilo e seguro.
“Faça pequenos treinos nos dias anteriores, mantenha o carro bem ventilado, leve um kit básico e, se o pet já demonstra enjoo ou muito medo, procure o veterinário antes da viagem para montar um plano completo”, finaliza.