O trabalho de equoterapia feito pela Cavalaria do Batalhão de Choque de São Paulo melhora muitas vidas

Liberdade. Talvez essa seja a maior busca das pessoas hoje em dia. Não estar preso a uma tecnologia (computador, celular, internet) , a uma pessoa que suga as energias ou a qualquer obrigação que não faça bem é um desafio. Agora imagine estar preso ao próprio corpo, sonhando em ter esta liberdade, mas sem saber como conquistá-la.

O regimento de Cavalaria do Batalhão de Choque de São Paulo e seus cavalos ajudam pessoas que possuem problemas parecidos com este por meio da equoterapia . São crianças autistas, pessoas com paralisia cerebral, que possuem dificuldade de locomoção, entre outras, que fazem a terapia com animais em busca de melhoria da saúde  e da qualidade de vida. Entre elas estão Jucilene Osiro e Leonardo, dois policiais militares aposentados por invalidez depois de sofrerem acidentes de moto. 

O Regimento de Cavalaria do Batalhão de Choque de São Paulo faz um trabalho excepcional de equoterapia com crianças e adultos
Major Ambar/PMESP
O Regimento de Cavalaria do Batalhão de Choque de São Paulo faz um trabalho excepcional de equoterapia com crianças e adultos

O PM Leonardo fez a equoterapia durante um ano no Batalhão de Choque  e sua vida mudou totalmente. Depois do acidente ele teve várias paradas cardíacas e ficou em coma na UTI por 45 dias. Quando acordou só enxergava vultos e já não conseguia pronunciar as palavras, apenas o nome do filho, que na época era um bebê de 6 meses. Devido suas condições acabou se aposentando. Separado da esposa, passava seus dias praticamente sozinho em casa. 

A maior parte das pessoas que fazem a equoterapia são crianças
Major Ambar/PMESP
A maior parte das pessoas que fazem a equoterapia são crianças

Até que ele começou a fazer equoterapia. A melhora conquistada durante 1 ano da terapia foi tão grande que, hoje, quase 14 anos depois do incidente, ele consegue falar praticamente tudo e está trabalhando voluntariamente como secretário na Cavalaria do Batalhão de Choque. 

"Eu me sinto como uma fênix. Ainda não tenho condições de fazer muita coisa, mas o que faço hoje, consigo fazer muito bem. A terapia melhorou tudo e como fui me apegando com as pessoas daqui, decidi aceitar o convite para trabalhar como voluntário. Às vezes eu fico até depois da hora para receber alguém que quer conhecer o lugar ou ajudar no que precisa, gosto muito de estar aqui", conta Leo, como é chamado pelos amigos de trabalho. 

Mas o assunto que mais o emociona é o filho. Ele pega o menino, que está com 14 anos, para passear em alguns finais de semana. "Eu até me emociono, amo muito o meu filho. A gente vai no shopping juntos, nos distraímos. Vou pegar ele nesse final de semana e estou contando as horas", diz Leo com os olhos cheios d'agua. 

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Outra coisa que enche Leo de orgulho é a recuperação de Jucilene, uma policial aposentada que possui uma história parecida com a dele. Ela sofreu um acidente de moto após ter um AVC (Acidente Vascular Cerebral) enquanto dirigia, depois teve um VCE (Acidente Vascular Encefálico). O resultado foi a paralização dos movimentos do lado esquerdo corporal. 

"Descobri que se eu fizesse equoterapia teria um equilíbrio muito maior, meu corpo iria melhorar também. Cheguei aqui por meio da Associação da Polícia Militar (APMDEFESP) e esperei cerca de 3 meses para iniciar, a demanda aqui é bem grande. Cheguei aqui com a expectativa de melhora e hoje ela só cresce, em 2 meses eu já ganhei muito", conta Jucilene. 

Juscilene no cavalo Euphoria e ao lado das pessoas que a ajudam na equoterapia
Canal do Pet
Juscilene no cavalo Euphoria e ao lado das pessoas que a ajudam na equoterapia

Além dos benefícios físicos, há também o emocional. Hoje ela não depende mais da bengala para andar e está em constante contato com os cavalos. Apaixonada pelo animal, Jucilene muda a expressão e abre um sorriso quando está em cima dele. 

" A sensação é de liberdade, quando eu estou lá em cima me sinto mais viva. Tudo fica melhor, eu percebo que sou capaz. Minha confiança melhorou muito depois que comecei a fazer a terapia aqui", explica ela que voltou a estudar e já está formada na faculdade de Designer de Interiores. Apesar de todas as dificuldades, hoje a vida é normal, ela dirige, cuida da casa e trabalha. 

O atendimento feito pelo Batalhão de Choque

Além de Jucilene, atualmente são atendidas em torno de 70 pessoas na equoterapia da Cavalaria. A maior parte delas são crianças com paralisia cerebral, autismo ou síndrome de down, principalmente. As sessões são realizadas uma vez por semana e duram cerca de 40 minutos. Geralmente são realizadas regularmente no período de 1 ano. 

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Tudo é acompanhado por voluntários, civis terapeutas que já se formaram ou estão no ultimo ano de faculdade. Eles participam da terapia e recebem treinamento por parte do Batalhão, entre eles estão aulas práticas, palestras e materiais de estudo. 

Todas as pessoas que fazem a equoterapia possuem acompanhamento profissional
Major Ambar/PMESP
Todas as pessoas que fazem a equoterapia possuem acompanhamento profissional

Mesmo não tendo uma frequência alta, o que é feito já reflete em uma grande melhoria. A maneira como o cavalo se locomove, com movimentos constantes e repetidos, influencia na recuperação de impulsos perdidos. Além disso, eles possuem 1º a mais na temperatura corporal, o que é benéfico para a circulação de sangue. 

Com tantas vantagens, a procura pela equoterapia é bem grande. Atualmente há uma fila de cerca de 90 pessoas esperando pelo atendimento, que costuma demorar entre 1 e 4 anos para ser iniciado. Por isso o Batalhão de Choque não faz muitas divulgações. Mas caso tenha se interessado, basta ir até o quartel e pedir para se inscrever. Um profissional da saúde fará uma entrevista e colocará a pessoa na fila. Casos mais graves tem preferência. 

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